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Haroldo Pereira Barboza
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Apenas três
Por: Haroldo Pereira Barboza

Uma diferença de três.

Ao longo do ano, em qualquer parte do território brasileiro, quando um caminhão tomba na estrada por um acidente previsto (com as estradas que temos, devem ser uns 10 por dia), os primeiros curiosos que chegam ao local não se preocupam com o estado do motorista nem avaliam algum risco de explosão do tanque de combustível. A primeira ação é correr para o compartimento de carga e tentar apanhar o maior número possível de pacotes agora desarrumados no compartimento acima. Desde latas diversas, até caixas de eletrônicos ou similares. Os que não conseguem capturar algum pacote é que tentam trazer ajuda ao ser humano preso (até desacordado) na boleia.

Tal comportamento coletivo desumano foi plantado no meio da sociedade a partir do império, com a ganância da realeza que de tudo se apropriava enquanto o povo lascado (e açoitado) corria atrás dos restos para sobreviver.
Com o advento da república, implantação da “liberdade democrática” e montagem dos tribunais de justiça para “defender os oprimidos”, alguns sonhadores imaginaram que nossa pátria passaria a figurar como nação de destaque no cenário mundial.

Ledo engano.

A “proclamação” foi apenas uma encenação para oficializar as apropriações (de bens e do suor alheio) que os “senhores dos engenhos” realizavam de forma desproporcional. Afinal, as “leis” foram redigidas pelos herdeiros dos fazendeiros e industriais que moviam a economia do país. Ou alguém acha que a “libertação” (apenas retiradas dos ferros) dos escravos nasceu do bondoso coração da elite?

E assim, passamos décadas sendo embromados pelos 3 poderes (que souberam manter o circo para distrair o “gado”) sem oportunidade de adquirirem estudos para equalizar a distribuição de renda. O crescimento da nação ficou para 2º plano.

E chegamos ao século 21 com nossos problemas agravados, cercados pela miséria que evolui com alta velocidade dentro de um cenário corrompido pelas quadrilhas (partidos – e ainda querem um novo) que fingem serem antagônicas para que os “eleitários” acreditem que existe solução em curto prazo (tipo 25 anos).
Pregam os geradores de manchetes (de todas as mídias): o povo pode mudar isto através do voto, renovando seus “representantes”.

Na teoria, realmente este é o caminho. Mas pense bem: no legislativo (onde o coração da corrupção pulsa com vigor) com quase 700 inúteis (só na área federal – não contamos com seus asseclas espalhados nos estados e municípios), a mudança teria de ser contundente: saem os quase 700 de uma só vez e entram novos, sendo proibida a reeleição e candidatos com laços familiares até 5º grau. Nem o mordomo da casa (com mais de 5 anos de afinidade) pode concorrer.

Mas a troca paulatina, tipo entram 50 novos (que nunca ocuparam lugar em câmaras), não produz efeito, pois pelo menos uns 40 já fazem parte de “esquemas” (trabalharam em alguma secretaria onde as fraudes raspam as divisas públicas) outros 5 indecisos são “atraídos” pela impunidade que lhes concede liberdade mesmo após serem condenados em 2ª instância.

Os 5 que sobram servem para “avalizar” a “lisura” da entidade podre e seus projetos honestos serão engavetados durante 20 ou 30 anos.

Observando os discursos na campanha de 2018 e comparando com o que já foi feito no decorrer de 2019, temos o seguinte sentimento:

a) Medidas para cortar direitos antigos, preservar mordomias dos “mariscos” e libertar os comparsas que foram apanhados pela Lei, correram com a rapidez de uma sociedade europeia.

b) Medidas efetivas para reduzir contrabandos, queimadas de florestas, desemprego e crimes contra o erário nacional, vão ficando para o fundo da pilha até que “caduquem” e percam a praticidade.

Qual a estimativa (anos) de mudança de nossos futuros?

Alguém disse 366 anos? Desculpe por ter ouvido mal. São apenas 363!

Ainda bem! O país não aguenta mais do que isto.

Haroldo / RJ

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