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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Uma tarde inesquecível
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Uma tarde inesquecível

Uma das paixões da cidade era o jogo de futebol no domingo à tarde. O estádio oficialmente batizado de “Toca das Feras”, mas carinhosamente chamado de “Escorrega Lá Vai Um”, por causa das condições que ficava após uma chuva, lotava quando o melhor time local, o injustamente denominado “Arranca Toco”, mostrava suas qualidades no gramado. O orgulho de nunca perder nos seus domínios intimidava os adversários das redondezas. Todos sabiam de cor a formação do timaço: Nego Gato, Carrapato, Ferrolho, Espanador e Para-choque, Azougue, Meio Quilo, Sarapó e Canela de Vidro, Lambretinha e Torpedo. No máximo cediam um empate!
Mas o futebol reserva surpresas. Naquela tarde o adversário, um tal de “Quebra Dedos”, num lance de sorte abriu o placar. A esperança era que uma falta frontal com direito a tiro livre direto, entre as linhas do meio de campo e da grande área, seria gol na certa. Só que o jogo ficou pesado, com o adversário abrindo a caixa de ferramentas, mas nada de falta na zona de perigo. Daí a substituição do Canela de Vidro pelo Maçaranduba e do Meio Quilo pelo Carcará. O time jogava bonito, mas se adaptava se do pau da venta pra baixo tudo era canela. A torcida calou!
Só que o estado do gramado induziu a uma falta, de onde o Torpedo nunca perdeu um gol, a dois minutos do final. Expectativa geral. O locutor, um gago quando ficava nervoso, conhecido por Fonfon, acostumado a gritar o gol feito pelo Torpedo nem piscava. Olhos atentos. O cobrador tomou o dobro da distância habitual e disparou o canhão. A bola encharcada, lisa por causa do sebo que passavam para conservar os pontos dos gomos, saiu toda deformada pela violência do chute. Mas antes de chegar ao gol a câmara saiu da capa e entrou no ângulo esquerdo do goleiro – a outra parte entrou no ângulo direito. O juiz validou o lance e o jogo terminou 2 a 1.
O episódio ficou registrado na entrada do estádio e no mural erguido para homenagear o herói de um caso inédito no mundo do futebol. Quem visita a cidade vê a estátua do Torpedo, com cada parte da bola em um das mãos e um desenho mostrando onde elas entraram no gol. Ele era um exímio cobrador de faltas, com qualquer das pernas. Sabia dar efeitos incríveis nos chutes. Certa vez, segundo o Fonfon, deu um efeito tão violento na bola que a palavra Drible escrita nela pôde ser lida como briDle. Mas naquela tarde a força substituiu o jeito. Alguns não acreditam!

J R Ichihara
19/01/2020

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