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Crônica
 
Vingança de gravata
Por: Otávio Nunes

Fui convidado recentemente para ser padrinho de casamento de minha sobrinha, a jovem Joseane. Até então, nunca havia passado pela minha cabeça que alguém fosse louco o suficiente para me oferecer tal honraria. Aceitei de bate-pronto, com medo de que ela mudasse de idéia.

O único problema que me ocorreu, depois, foi a necessidade de vestir terno e gravata, porque não tenho este costume, graças a Deus. Mas mantinha uma gravata pendurada dentro do guarda-roupa.

Como havia muito tempo não usava tal acessório, pedi a um amigo da redação que me ensinasse a dar nó. Depois da pequena aula, ainda fiquei 15 minutos em frente ao espelho do banheiro treinando a difícil arte de acertar a gravata no pescoço. Fazia e desfazia o nó, fazia e desfazia... Até que o meu chefe entrou no banheiro e perguntou: “Pô meu, enrolar e dar nó é com você mesmo, heim.
Cadê a matéria?”. Tive de parar e voltei ao trabalho, com o cuidado de guardar a gravata com nó feito.

Vou interromper minha historinha para contar a você uma curiosidade sobre este pedaço de pano que os homens amarram no pescoço e ainda se vangloriam pela elegância. A palavra gravata vem de Croácia. Isto mesmo. Se não acredita, dê uma olhada no Google. Na Guerra dos 30 anos, no século 16, na Europa, soldados croatas, com laço no pescoço, lutaram ao lado dos franceses que adoraram o enfeite e o disseminaram pelo mundo.

Pois bem. Ao chegar em casa, guardei a gravata com o nó para usá-la no final de semana, na cerimônia de casamento da minha sobrinha. No dia marcado, tomei banho, me perfumei, escovei o dente, aparei as unhas, engraxei sapato, penteei os parcos cabelos que ainda me restam, vesti camisa de manga comprida, calça social e separei o único paletó que tinha. Só faltava a “croata”.

Ao pegá-la no guarda-roupa quase tive um ataque cardíaco. Estava sem o laço. Desesperado, perguntei para minha mulher o que tinha acontecido. Ela me disse que havia desfeito o nó para passar a gravata “e tirar o amassado”. Meu Deus. Esqueci de avisá-la sobre a necessidade de manter a gravata com nó. Peguei a peça e guardei no bolso do paletó. Quando chegasse à igreja pediria a alguém para fazer o nó.

Ao chegar no local, descobri que minha sobrinha havia convidado mais dois casais para padrinhos. Fiquei decepcionado, pois acreditava ser o único. Eu e minha mulher sentamos na primeira fila e acompanhamos o ritual do casamento.

Quando voltava para casa, enfiei a mão no bolso do paletó e só então percebi que a gravata ficara todo o tempo ali, guardada, sem nó. Fui o único padrinho que não usou a dita cuja. Também, bem-feito!. Quem mandou minha sobrinha convidar um monte de padrinhos.


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