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Bruno Silva de Carvalho
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Os valores na pós-modernidade
Por: Bruno Silva de Carvalho

Os valores na pós-modernidade

Nos últimos anos, principalmente, o homem tem vivido valores que às vezes faz com que ele não evolua e até mesmo faz com que se perca sua identidade. Daí podemos fazer um questionamento: que valores são importantes hoje? como eles são vividos em nossa corrente de vida? Antes que se possa responder essas questões deve-se levar em conta alguns fatores importantes que contribuem para uma modificação na maneira de agir e de pensar do homem, dentre as coisas que mais influem nesses aspectos podemos citar a mídia e a doutrina capitalista. Deve-se levar em conta que o capitalismo é excludente.
O homem tem o costume de avaliar seu próximo e até a si mesmo por aquilo que se tem ou possui. Será que uma pessoa é melhor do que outra por possuir uma roupa de marca? Na verdade, este indivíduo pode estar perdendo sua identidade. Existe um poema de Carlos Drummond de Andrade, denominado "Eu etiqueta", que nos mostra claramente a perda da identidade do ser humano.
Até agora se falou apenas em perda de valores, mas como fazer para que se possa construir determinados valores? A resposta não é das mais complicadas: Para isso existem três palavras que colocadas na prática têm o poder de auxiliar nessas construção, são elas: Compromisso, responsabilidade e conseqüência.
Quando se trata desse assunto, podemos notar uma nítida falta de liberdade. Mas como assim? Pense, podemos até passar para o pensamento de Spinoza. Se determinado indivíduo está perdendo sua identidade está, ao mesmo tempo, sendo constrangido por alguma força. Neste caso está deixando coisas fúteis tomarem lugar em sua existência. Só há liberdade para aquele que efetua sua própria vida.
É importantíssimo dizer uma gíria dita por Rubem Alves, ele diz que algumas pessoas não passam de piruás (aqueles milhos de pipoca que não estouram), ou seja, existem indivíduos que estão presas a certos “valores” que não conseguem explodir para a vida, não conseguem seguir em frente rumo a um horizonte diferente.
O poema que segue abaixo, denominado “Eu, etiqueta”, é de autoria de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. Leia-o, tire suas conclusões a respeito do texto acima e reflita:

*Você se considera um “Eu, etiqueta”?
* A quais valores você se apega?


Eu, etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, premência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-lo por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer, principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar,
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo de outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mar artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome noco é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
(Carlos Drummond de Andrade)

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