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Poesia
 
O dançarino
Por: Marlene Nascimento

Busca o homem a fugidia felicidade,
tecendo um véu de amor, de fraternidade,
mas ei-lo, chafurdado em mar de preconceito,
também ira, leviandade, desrespeito...
A alma humana... ah, a nobre alma humana,
que tanto dor e sofrimento proclama!...
Insurge-se contra a dor, mas busca a tormenta.
Sana o ódio, mas o alimenta.
Sente afeto, e por ele escolhe a sua tribo,
delimita território, na raça, no grito.
O homem minimiza a dor da vida
com clamores cômicos e intrínsecas filosofias.
Há espanto e encanto na sua longa história,
há um torvelinho de paixões bélicas, de vanglória.
Dançarino, levita na imaginação d’um anjo maroto,
Ingênuo, é um menino arteiro, danado de tolo,
entregue a misticismo, feitiçaria e superstição
em prol de acalmar os temores do seu coração.
Ele necessita dessa onda cósmica, até doentia,
a fim de suportar a angústia nata, a melancolia.
Atiça-se nos sonhos, tremula nos pesadelos.
É um bruxo; realiza alquimia no pensamento.
É um a ator; dramatiza e satiriza emoções, verseja,
e no auge da sua lúcida loucura, representa;
Exuberante, lírico, canta e filosofa.
Sarcástico, usurpador, mata e imola.
É um deus, dança belo e único pelos ventos.
É um rei, impera em todos os sentidos.
É um titã, submerso nas profundezas do mar sem fim,
ao crepúsculo ele emerge e grita à vida, assim,
consciente que morrerá um dia, queira quer não,
e segue desviando-se das pedras, vencendo estações,
singrando insolente pelas estradas, pelos portos,
tudo para emoldurar o encanto dos seus mortos,
tudo para manter acesa a centelha da sua frágil vida,
cujas emoções adormecem em névoa bendita.
O homem é fascinado pelo bicho-homem;
Esse espanto, esse lobisomem.
Bicho fascinante é esse homem, que apesar da dor,
apesar da agonia descortina todo esplendor
de amar e entender quão belo é viver,
mesmo na triste certeza de, pusilânime, morrer.
Segue ele, sabedor do fim de todas as coisas,
Segue ele, senhor dos ventos, das nuanças.
E ele evolui, ama, transcende, gorjeia...
e cai, embaraçando-se na própria teia,
mas persistente se ergue, valente avança,
pleno de vida, inflado de esperança.

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