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Crônica
 
Dá-lhe chibata!
Por: Marlene Nascimento

independente
ferindo a Natureza -
reina o homem


O nosso planeta é a nossa casa no Universo. Assim como devemos manter a nossa casa limpa, assim devemos mantê-lo, mas, infelizmente, devido a ignorância e insensatez humana, a bela Terra agoniza. E mesmo sabedor disso, o bicho homem continua com a sua sanha de destruí-la.
Nunca o nosso belo e esplendoroso planeta esteve tão sujo. Lixo, lixo, lixo, incontáveis toneladas de lixo.
Eu ando pelos bairros do meu município, que é litorâneo, e fico pasma com todo lixo das calçadas e ruas. Exatamente no centro da cidade o problema não é tão grave como nos bairros, afinal a prefeitura concentra os garis exatamente no centro, que é o cartão postal do município, para parecer os veranistas que a cidade é a mais limpa do país. Mas nos bairros... isto sem falar nas praias. Em certos municípios litorâneos as praias são limpas apenas nas festividades de dezembro, no carnaval e em alguns feriados prolongados.
Garrafas pets, latinhas, sacolas plásticas, bitucas e toda má sorte de lixo emporcalhando ruas, entupindo bocas-de-lobo, cooperando para o agravamento das inundações em época de dilúvio. Gente, são inundações que matam gente! Inundações que geram milhares de desabrigados que perdem o fruto de anos de trabalho.
No litoral existe uma árvore popularmente chamada de chapéu-de-sombra da qual caem muitas folhas. Muitos moradores, por preguiça de pegar uma vassoura e varrê-las, deixam-nas ao labor do vento. Se a árvore está no quintal de alguém ou frente a sua calçada, esse alguém passa a sofrer represália dos vizinhos preguiçosos que se desobrigam de varrer as folhas.
Certo dia conversando com uma ociosa senhora aposentada, ela me passou o quanto era massivo ter que varrer diariamente as folhas dessa mesma árvore do seu quintal, sem que a árvore fosse dela. Eu lhe disse:__ Que nada! Leva na esportiva e encara como exercício físico. Vassourinha para lá, vassourinha para cá!... Isso faz um bem danado pro coração.__´Pensam que ela gostou?
Com as chuvas o mato cresce desordenadamente. Como no município existem muitas ruas asfaltadas com pedras, ainda assim o mato cresce entre os vãos, e como cresce. Acho que de cada 100 proprietários, um tem coragem de pegar numa enxada e carpir seu pedacinho, outro paga para alguém carpir e 98 creditam que a obrigação de limpar ruas, calçadas e terrenos baldios é do prefeito, afinal todos pagam impostos. Com esse impasse, além de provocar inundações, a simbiose de dilúvio e sujeira agrega hóspedes indesejáveis: insetos, aracnídeos, roedores, anfíbios anuros, e outras espécies que eu julgava em extinção nas áreas urbanas.
Um dos bairros mais premiados com sujeira no meu município é justamente o meu. Passear por ele é se deparar com muita sujeira. Eu faço caminhada na praia e haja detritos pelo caminho e dejetos singrando para o belo mar. Pobres rios e mares!
Quando saio à rua sempre presto atenção nos porcos de plantão. Indubitavelmente o povo porco e sem noção é responsável por todos os males do planeta. Quanto mais programas educativos de conscientização na mídia, para diminuir a porquice do povo, temos mais lixo e mais porcos que não criam vergonha na cara e inteligência nos neurônios para aprender que o lixo depositado na superfície contamina os lençóis de água potável do subsolo.
E já que o povo não aprende bons modos ambientais, dá-lhe chibata! Cidadão é flagrado poluindo? Chibata nele! Ou seja, multa nele! Tem que fazer como algumas cidades já estão fazendo quando encontram focos do mosquito Aedes Aegypti numa propriedade; multar sem perdão.
Tem que multar mesmo, não importa a idade. Pais e/ou responsáveis pelas crianças e
adolescentes devem responder por eles. Crianças aprendem na escola tudo sobre o meio ambiente, mas sempre flagro estudantes livrando-se de latinhas de refrigerante, de embalagens e palitos de sorvete, etc, em qualquer lugar, completamente esquecidos dos livros sobre a degradação ambiental.
Demais, tem a problemática dos coletores de lixo que deixam para trás pelo menos 10% do lixo que devem coletar, trabalhando mal e porcamente, cooperando assim para o emporcalhamento do nosso querido e belo planeta. Então, chibata neles também!
O prazer do homem é poluir, desmatar, queimar savanas, campos e florestas, enfim, ferir a Terra, na dolorosa pretensão de acabar com ele mesmo.
Basta de ouvir e aceitar desculpas esfarrapadas de suínos; multa neles! Se não pagarem, que sejam sentenciados a trabalhar como garis por meses, sob a implacabilidade do sol e da chuva, expostos a proliferação de doenças provocadas pela porquice dos porcos em geral.
O pobre povo, que sofre com pesados encargos tributários, no quesito meio ambiente leva zero, e deve e merece ser chibatado. Finalizando, ou o povo aprende a cuidar do meio ambiente ou, dá-lhe chibata! Sem clemência!

A responsabilidade é de todos

Semanas atrás eu assisti na televisão um entrevistado falando num documentário que o cidadão comum não pode ser responsabilizado pelas enchentes que vem acontecendo em muitas regiões do país. Ele se referia ao fato de que os sacos de lixo depositados nas calçadas são levados pela correnteza, entupindo assim os bueiros, trazendo um caos maior às áreas atingidas por temporais. A entrevista estendeu-se para os caminhões de lixo que demoram a passar e também para os moradores que colocam os sacos de lixo nas calçadas com muita antecedência ao horário da coleta.
Discordo plenamente do fato do entrevistado afirmar que o povo não tem que ser responsabilizado pelas enchentes. Tem sim, porque a responsabilidade do bem estar do planeta é de todos.
E lixo a esmo nas calçadas é burrice declarada. Embora concordemos que lixeiras suspensas enfeiam as áreas urbanas, elas são necessárias para o lixo ensacado não ser levado pela correnteza e também ficar a salvo do ataque de cães. Se todos optassem por elas, certamente diminuiria o congestionamento das bôcas-de-lobo em horas de dilúvio.
Também temos a problemática de certos catadores de sucatas que abrem os sacos de lixo, esparramando-o. Nesse caso é a comunidade quem deve ficar de olho nesses poluidores. Se forem surpreendidos praticando tal delito, dá-lhes chibata. Literalmente!


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