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Crônica
 
Bons tempos aqueles!
Por: Marlene Nascimento

Recentemente li um texto que começava assim: “No tempo que éramos mais humanos...” E seguia-se uma sucessão de exemplos de como a vida era melhor para todos.
Ora, nunca fomos mais humanos em época alguma. Retornando à História das Civilizações podemos observar que o ser humano sempre cometeu atrocidades contra o seu próximo. Guerras, genocídios, massacres, escravidão, tortura, sempre houve em todos os milênios.
Vez por outra se descobre ao acaso valas coletivas, datadas de dezenas de anos, com inúmeras ossadas humanas, que analisadas se sabe serem de pessoas que sofreram agressão. Quantas dessas valas não encontradas haverá no mundo? Nunca houve menos crimes no mundo, havia, isto sim, menos divulgação. Não era como agora que a mídia nos passa as barbáries tão logo elas aconteçam.
Milhares de vidas foram sacrificadas pela maldade humana. O morticínio animal idem. Caso haja dúvidas busque-se a lista dos animais que foram extintos e os que correm risco de desapareceram do planeta devido à loucura humana.
Eu mudaria a frase no tempo que éramos mais humanos para no tempo que éramos mais humildes, quando éramos felizes com nossas vidas simples, sem almejarmos riqueza a qualquer preço. Antigamente havia apenas duas classes sociais distintas, a rica e a pobre. Uma pessoa pobre que possuísse uma carroça era feliz tanto quanto uma pessoa rica que possuísse um Rolls Royce. Agora os pobres endividam-se sobremodo e muitos cometem falcatruas para ter acesso ao que antes era viável apenas aos ricos.
A tecnologia nos alçou à esferas inimagináveis pelo homem antigo, mas como tudo na vida tem peso e contrapeso, nos lançou ao egocentrismo.
Outro dia eu estava conversando com uma amiga, argumentando sobre a praga que se tornara o uso de celulares, com pessoas ostentando esse aparelhinho irritante nos lugares mais impróprios possíveis. Inclusive falava eu de crianças na fase primária escolar portando celulares em sala de aula e mais mal, disputando marcas e modelos. Ela disse: __ Pois é... e agora até cachorro tem celular.
Quando éramos mais humildes um ancião usufruía de velhice cercado do seu clã. Hoje milhares de senhorinhos e senhorinhas arrastam os seus dias na solidão e tristeza. Adoecidos e fragilizados pelo peso dos anos eles são vítimas freqüentes dos salteadores da família.
Quando éramos mais humildes, éramos mais solidários. Os vizinhos ajudavam-se uns aos outros, sem hesitação, sem sentimento escuso. Era esse o tempo em que distintas comadres pediam xícaras de café e açúcar emprestadas, tempo em que não se fornecia uma receita de chá para um vizinho doente, pelo contrário, ia-se à casa do doente com o chá fumegando no bule, pronto para ser servido. Bons tempos aqueles! Certamente que havia intrigas, desacertos e rivalidades numa comunidade, mas nada comparado à indiferença de hoje.
Há coisa de um ano li em matéria internacional que uma família foi encontrada morta dentro de casa, pós oito meses. Uma mãe envenenara os filhos e a si. Os cadáveres só foram encontrados porque um mandato de despejo fora expedido pelo dono do imóvel e quando a policia arrombou a porta da casa deparou-se com a cena sinistra. Porque o desconhecimento da tragédia aconteceu? Porque as pessoas constroem muros cada vez mais altos em torno de suas casas e de si. A vizinhança, antes tão prestativa e generosa, agora está preocupada em preservar o seu patrimônio, em cuidar do bem estar apenas dos seus entes queridos mais próximos.

Que não se fechem os olhos à verdade; amar ao próximo como a nós mesmos, com toda a nossa alma e o nosso coração, é desde os primórdios filosofia de poetas, sonho de pacifistas.
Sim, ainda parecemos humanos. Só precisamos prová-lo.


*Nota: Se alguém deseja reproduzir esse texto, em parte ou em todo, peço que me conceda os devidos créditos. Grata!

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