Economia verde: entre o sonho e a realidade
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Na prática a teoria é outra
Desde a ECO 92, que reuniu vários representantes de 179 países, no Rio de Janeiro, entre os dias 3 e 4 de junho de 1992, para debater as resoluções da Agenda 21, organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas), que o mundo ouve falar em desenvolvimento sustentável, a forma de consolidar a economia verde. Mas, quase vinte anos depois, o que a humanidade pode comprovar como resultado desta importante reunião? A preservação do meio ambiente, um dos itens mais importantes da Agenda, atendeu às expectativas do planeta?
No mundo onde a busca por produtos cada vez mais rotulados de "verde" ou "naturais", dos alimentos a manufaturados de maneira geral, como atender a demanda se o espaço físico disponível se reduz assustadoramente por causa dos ecúmenos? Dá para reduzir o aquecimento global sem substituir o combustível que movimenta os meios de transporte? À parte o aperfeiçoamento no funcionamento dos motores e dos derivados de petróleo, deslocar riquezas significa emitir toneladas de poluentes na atmosfera. Como melhorar a produtividade no campo?
A recente e polêmica reforma no Código Florestal preocupa os produtores principalmente os que praticam a agricultura familiar. O aumento da obrigatoriedade na preservação de área das propriedades já mostra o efeito negativo por causa do entendimento jurídico - a lei sempre deixa brechas para o "jeitinho" brasileiro. Soma-se a tudo isso a restrição ao uso de agrotóxicos e a alteração do que passaria a ser considerada como APP (área de preservação permanente). Haverá uma tecnologia limpa para atender esta exigência?
O fato indiscutível é que o mundo precisa preservar o meio ambiente - sabe-se lá como - porque isso significa a própria sobrevivência da humanidade. Se de um lado a sociedade exige produtos de melhor qualidade, que atendam as necessidades da vida moderna, mas fabricados com responsabilidade social e ecologicamente corretos; por outro, os recursos naturais, com limite finito, assim como a necessidade de encurtar o tempo para colocar bens e serviços à disposição da população, alguns fornecedores utilizam processos que agridem a Natureza.
Seria possível atender às necessidades da humanidade, em todos os requisitos básicos de sobrevivência, sem agredir o meio ambiente? Tipo assim: Onde explorar o agronegócio? Como escolher o local para implantar uma cidade? E as fábricas? Qual a forma menos agressiva de gerar eletricidade? Por que não inventar embalagens descartáveis totalmente reutilizáveis? Diante desses questionamentos vê-se que exigir um desenvolvimento totalmente sustentável não é tão fácil! O desafio exige bem mais que educação ambiental, tecnologia... e leis severas.
Qual seria o preço de um produto, ao chegar ao mercado consumidor, que cumprisse tanta exigência legal para não comprometer a integridade do meio ambiente? Se não dá para saber, pode-se ter uma ideia comparando com os valorizados "orgânicos" que viraram moda entre os que procuram uma alimentação saudável. Quantos brasileiros poderiam comprá-los? Visto assim, fica-se na dúvida se a desejável onda verde que pressiona os produtores de maneira geral tem aplicação pratica ou é apenas uma utopia dos alarmistas de plantão.
Mas estudos e discussões com fins pacíficos são muito proveitosos quando analisados sob a ótica da praticidade e do bom senso. Nem tanto à teoria pessimista de Thomas Malthus de que faltaria alimento no mundo, caso não houvesse controle de natalidade, porque "a produção cresce como uma progressão aritmética, enquanto a população cresce numa progressão geométrica". O risco hoje não é a falta em quantidade, mas o encarecimento na produção, devido às restrições, que excluirá milhões de pessoas do mercado consumidor - é a realidade!
J R Ichihara
17/03/2012
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