O futuro é hoje, AGORA!
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA

Indiscutivelmente, a arte é o melhor farol de observação da odisseia humana. Nos triunfos e nos fracassos, sejam eles conquistados individual ou coletivamente, as diversas formas da arte conseguem transcender os limites naturais e expor com a devida riqueza de detalhes o que poderia fugir à percepção.
Na semana em que uma reportagem na televisão revelou o drama do aumento de crianças abandonadas por mães usuárias de drogas, sobretudo o crack, e as implicações do entorpecente no organismo ainda em desenvolvimento, me pus a pensar na costumeira frase de efeito “as crianças são o futuro da nação”. Segundo a reportagem, os efeitos do crack para essas crianças vão desde o comprometimento fisiológico do corpo até os desvios e transtornos cognitivos e comportamentais 1.
Bom, mas o quadro exposto se define sobre a origem desses pequenos indivíduos e norteia ações que devem ser desenvolvidas no sentido de mitigar os danos e os prejuízos 2. Mas o que dizer sobre a parcela de crianças que não são vitimas do universo das drogas e vivem também o impacto do abandono, da negligência e do descompromisso parental?
Acredito que as pessoas saibam bem o grau de responsabilidade estritamente impresso na geração de um novo ser. O problema é que não basta apenas saber; o conhecimento precisa passar para a ação! Não se trata só de amor, ou só de dinheiro, ou só de tempo,... trazer uma criança ao mundo implica em um conjunto de necessidades e obrigações a serem satisfeitas na sua totalidade; o que segundo a Constituição Federal de 1988, no artigo 227, se traduz em: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligencia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
Entretanto, o que se vê está cada vez mais distante disso. Na medida em que nossas crianças têm crescido como frutos de “geração espontânea”, os reflexos na vida em sociedade demonstram o longo descaminho percorrido 3. Se nos atentarmos apenas aos transtornos cognitivos e comportamentais já veremos os estragos de uma geração cujos pais ou responsáveis produziram. A noção de valores éticos e morais está completamente invertida; por isso, os espaços de convivência (a internet, o clube, a escola, por exemplo) se transformaram em praças de guerra, palcos de exibição do desrespeito, da crueldade, da intolerância, da barbárie. Há um sentimento de segurança na total impunidade, ou repreensão, por parte da família que eles se sentem à vontade para flexibilizar cada vez mais os seus limites.
Crianças e jovens tem enxergado o mundo do alto de sua distorcida observação; a realidade que conhecem coloca em suas mãos o poder de reinarem absolutos, como se a vida jamais fosse detê-los ou mudar “as regras do jogo”. Estamos diante de uma geração de “absolutos” que não aceitam ser contrariados em suas vontades, em seus quereres. Eles têm tudo a tempo e a hora, não precisam se esforçar, não precisam construir, não precisam nem ao menos pensar. Sendo eles “o futuro da nação”, então, o que poderemos esperar? Estamos diante do resultado produzido pela própria sociedade; cada um tem sim seu quinhão de responsabilidade. Aqui e ali, diariamente, se perguntam onde foi que erraram, quando os atos chegam ao extremo do descontrole. Aqui e ali, diariamente, justificam que amam demais. Aqui e ali, diariamente,... Até quando assistiremos ao aplauso de tamanha atrocidade social? Estamos diante de um “genocídio”, na medida em que a população está sendo dizimada lentamente nas suas bases de sustentação. Como exemplo disso, os que não nasceram no berço das drogas estão se aproximando delas da mesma forma; enquanto as consequências primárias ou secundárias desse fenômeno estampam as manchetes.
Então, convido vocês a assistirem ao filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, dirigido por Tim Burton 4, para extraírem da 7ª arte uma compreensão lúdica e interessante sobre o que acabei de discorrer. Afinal, queiramos ou não aceitar, o mundo já vive o seu caos apocalíptico; a peste, a guerra, a fome e a morte já galopam sobre a humanidade. A vida não parece segura a permanecer nos caminhos que se conhece até agora; a mudança de conduta se faz urgente. O topo da cadeia não representa uma autossuficiência inabalável; precisaremos de quem nos estenda a mão, nos sacie a fome, nos dê água, nos de alimento, nos fortaleça a esperança... Portanto, não se esqueça: os seus valores poderão ser decisivos no momento de mantê-lo vivo ou não! O futuro é hoje, AGORA!
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1 http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2012/07/filhos-de-viciadas-em-crack-recebem-tratamento-especial-em-abrigo-do-rj.html
2 http://odia.ig.com.br/portal/rio/crack-j%C3%A1-%C3%A9-a-principal-respons%C3%A1vel-pela-perda-da-guarda-de-crian%C3%A7as-no-rio-1.465652
3 http://salessesilva.zip.net/
http://guiadobebe.uol.com.br/agressividade-na-infancia-ate-que-ponto-e-normal/
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2012-07-15/crimes-barbaros-retomam-debate-sobre-maioridade-penal.html
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1060509-5604,00-SAIBA+COMO+EVITAR+ATITUDES+VIOLENTAS+DOS+FILHOS+NA+ESCOLA.html
4 http://pt.wikipedia.org/wiki/Charlie_and_the_Chocolate_Factory_(filme)
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-52933/
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