A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco | CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
Honra alheia não tem valor?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O poder para destruir reputações


A sociedade brasileira viveu durante vinte anos sob censura da imprensa civil quando o regime militar comandou o país. Os adolescentes e jovens daquela época lembram muito bem o que isso significava. Portanto, o sonho de consumo de tal geração era a liberdade de expressão. Isso era proibido nos jornais, na TV, no cinema, no teatro... em tudo onde se mostrava que ninguém pode viver debaixo de tamanha limitação. Poucos ousaram falar abertamente que os dirigentes eram ladrões, corruptos, torturadores, apesar dos inúmeros casos denunciados.
Mas como as dificuldades costumam revelar talentos, através da criatividade, a história mostra que tanta opressão acabou gerando muita riqueza nas atividades artísticas como a música e as peças teatrais. Os jovens e adolescentes de hoje não dão a mínima importância às músicas de protesto de Geraldo Vandré e Chico Buarque – não fazem sentido para eles! Da mesma forma que a peça Gota D’água, onde mostra o sofrimento de uma comunidade na Vila do Meio-dia, podia ser facilmente comparada com a situação da população brasileira sob a Ditadura Militar.
Outros artistas, além de muitos escritores, hoje totalmente esquecidos e desvalorizados, tiveram sua cota de participação para que a tão sonhada liberdade de expressão, em todas as suas formas, fosse alcançada. Infelizmente, temos de reconhecer, o mundo mudou e certos heróis do passado sequer são respeitados. São mais lembrados por “derrapadas” no comportamento diante de uma nova realidade do que por suas colaborações nas conquistas para a realização do sonho dos esperançosos. Talvez seja a comprovação da amnésia nacional quanto a história.
Como o mundo dá voltas, o símbolo do protesto contra a Ditadura na música brasileira, hoje longe dos palcos e dos estúdios fonográficos, foi taxativamente chamado de ladrão por um jornalista que não concorda com a simpatia dele pelo PT. O que levaria alguém a odiar quem lutou pela liberdade de expressão negada durante tantos anos? Somente porque não concorda com a sua opção política e exerce o direito de escolher quem acha melhor para o cargo de presidente da República? Que provas teria para uma acusação tão grave? No fim... pediu desculpas! Só isso!
Estendendo o leque para uma abrangência maior constata-se que o problema gerado pelas vitórias consecutivas do PT à Presidência da República atingiu um grau preocupante. Virou ódio puro! Nas eleições livres das vitórias houve coação, ameaça de morte ao eleitor, retaliações... ou qualquer tipo de impedimento de escolha? Claro que as campanhas usaram os apelos normais para convencer... mas obrigar o eleitorado a escolher... isso ficou longe da liberdade individual. Então por que tanto ressentimento? O processo democrático não é o ideal? Como escolher?
Sabe-se que a mídia declarou oposição abertamente contra o ex-presidente Lula. Hoje, muito parecido de quando exercia o cargo, ele é diuturnamente incriminado nos jornais e na televisão. Ninguém quer ser mais seu amigo e até os parentes são apontados como corruptos. Pela imprensa, que pode livremente acusar e depois se desculpar sem cerimônia, ele já deveria estar na cadeia desde que exerceu o primeiro mandato. De preferência quando surgiu o escândalo do Mensalão. Será que o rigor do momento foi igualmente aplicado a todos os antecessores?
Acredita-se que o bem mais precioso de um ser humano, depois da própria vida, é a honra. Por ela luta-se até as últimas gotas de sangue que corre nas veias – arrisca-se até a própria vida. Ao mesmo tempo, o que todos deveriam aprender, independentemente da liberdade de expressão, é o respeito e o cuidado que se deve ter com a honra alheia. Desvalorizar alguém, quanto a sua honra, simplesmente por não concordar com sua forma de pensar demonstra honestidade ou retidão de caráter? Por que no nosso país está banalizado o direito de expressar opiniões?


J R Ichihara
03/01/2016

Comente este texto

 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: eBaL (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.