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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Exceção aos cartéis... Ainda bem!
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Há males que vêm para o bem?


A Justiça brasileira vive divulgando na mídia que a dificuldade no combate à violência é a eficiência da organização criminosa. De tanto ouvir isso, o contribuinte acaba perdoando a incompetência geral. Portanto, como uma sentença sem direito a recorrer da decisão, o cidadão se conforma e tenta sobreviver no meio da insegurança generalizada que se instalou no torrão natal. Mas um questionamento que nunca vemos ser feito pelos entrevistadores dos meios de comunicação me deixa curioso. Até que ponto o mundo do crime é, realmente, organizado?
Todo cidadão brasileiro, por mais desinformado que seja, conhece o significado de cartel. Tem o dos traficantes, dos fornecedores de combustível, das empreiteiras, das montadoras de automóveis, das instituições de ensino privado, dos planos de saúde... de todos os segmentos de atividades legais no país. Quando a atividade é pública o nome muda para corporativismo. Neste estão os parlamentares, os magistrados e outros mais. Alguns são fortes, como dos médicos e advogados, independentemente de serem do setor público ou privado – é o lema união faz a força!
O que diferencia uma entidade de classe constituída para defender os interesses de uma categoria profissional de um cartel? Pode ser muito sutil, mas existe. Aquela procura defender os direitos dos seus associados baseada apenas nos requisitos legais, enquanto este visa somente tirar vantagem de uma situação usando a necessidade dos consumidores, que não têm outra alternativa, como poder de barganha, obrigando-os a aceitarem uma imposição. Vemos muito disso por aqui? Este é um dos maiores problemas do fornecimento onde a concorrência é fraca.
Mas o que se vê no mundo do crime, onde as facções se enfrentam em qualquer território para mostrar quem manda no pedaço? Neste não há cartel! Ainda bem. Já imaginaram se os chefões do narcotráfico e do tráfico de armas resolvessem formar um só cartel poderoso? Se segmentado já faz um estrago enorme na segurança, como seria se esta atividade fosse, realmente, organizada em termos de interesses e market share? Talvez esse dia nunca chegue, graças a Deus. Também não há fusão ou aquisição neste meio, como nas empresas normais.
Preocupa, entretanto, a forma de atuação dessas organizações ilegalmente constituídas. Nestas, os termos inflamados, que nas empresas legais são apenas figurativas, são fielmente cumpridas. Guerra é guerra mesmo! Acabar com a concorrência é, no mínimo, eliminar seus componentes. Cortar cabeças é para valer mesmo – degola ou decapitação – seguindo uma determinação que não precisa ser escrita para funcionar. É o simples e objetivo “papo reto” que resume tudo o que se precisa fazer para que a “organização” imponha respeito e ganhe mercado.
Infelizmente, o Poder Público brasileiro não soube combater o crime. Seja organizado ou desorganizado, o que temos de concreto é o poder cada vez maior que a criminalidade mostra onde quer que se instale. Param o transporte público, suspendem as aulas nas escolas, principalmente as públicas, fecham as portas das casas comerciais... submetem o país e a população à sua vontade. E o que vemos como reação das autoridades? A velha desculpa de que é impossível combater o crime organizado! Precisam admitir e reconhecer que o mal venceu?
Qual seria o motivo de uma forte união criminosa não acontecer entre as facções? Talvez a ambição para assumir o poder de forma absoluta. Ser soberano, temido, único. Uma espécie de divindade no mundo do crime, onde todos se curvariam, inclusive a Justiça admitindo e reconhecendo a indiscutível superioridade em inteligência, estratégia e resultados. Fosse uma empresa aberta, as ações do narcotráfico seriam uma das mais valorizadas no pregão? Como duvidar disso? De papelote em papelote, ou de trouxinha em trouxinha, o crime enche os cofres.


J R Ichihara
21/01/2017

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