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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Queima de arquivo ou fatalidade?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O perigo do achismo sobre um caso sério


O país se viu às voltas com mais um trágico acontecimento no último 19 de janeiro, onde morreu o ministro do STF, Teori Zavascki, num acidente de avião nas proximidades de Parati-RJ. A repercussão deve-se ao fato que ele era o relator da Operação Lava Jato, sendo o responsável por homologar as delações premiadas de pessoas da empreiteira Odebrecht, enviadas pela Procuradoria Geral da República. Por isso, como sempre, surgiram as mais divergentes opiniões: fatalidade, sabotagem, conspiração, queima de arquivo. Pré-julgamento? O povo quer saber!
Como se trata de um caso muito delicado, com grande expectativa sobre o substituto, a investigação ocorrerá em segredo de Justiça. Mas o que chegou ao conhecimento público, o que a mídia divulgou nos meios de comunicação, foi que as condições climáticas desfavoráveis, como chuva intensa, bem como os recursos limitados da pista de pouso e da aeronave, foram as causas do acidente. Claro que as pessoas têm as suas opiniões e podem falar o que acham, mas fazer isso movido por questões políticas não ajuda a esclarecer – a verdade independe de especulação.
A democracia é um regime onde a liberdade das pessoas é a principal característica, mas este direito deve ser exercido com um mínimo de bom senso. Então, baseado nesses princípios, qualquer um pode dizer o que acha, desde que não faça disso um instrumento para acusações infundadas, agressões pessoais, intenções para difamação e outras formas de comportamento inadequado. Dentro de parâmetros legais, as opiniões podem ser emitidas, sem problemas. Ultimamente temos visto isso nas pessoas? Ou a intolerância cresce a olhos vistos? Portanto...
Quem acompanha as denúncias contra as gestões petistas, algumas com visível traço de ódio, se habituou com a seletividade que ganhou proporções visíveis na mídia e na Justiça. Alguém se surpreendeu com as afirmações de que o PT foi o responsável pelo acidente do avião onde Teori morreu? Ouvindo a conversa gravada do ex-ministro Jucá, esta hipótese soa estranha! Ou o que aconteceu com a aeronave, onde o candidato Eduardo Campos também morreu? O CENIPA, o órgão investigador oficial, apontou vários fatores, mas nenhum indício de sabotagem.
Infelizmente, a proximidade entre o Poder Público e a iniciativa privada não pode ser eliminada como muitos querem. Autoridade pública não pode ter amigos da iniciativa privada? Isso é ilegal? Até onde essa prática mancha a reputação de alguém? Surgiram informações de que o ministro Teori era amigo pessoal do dono da aeronave, que estava sob investigações em alguns dos seus vários negócios. Será que apenas isso vale para detonar toda a credibilidade que o ministro conquistou no meio que atuava? Quantos sobrariam fazendo-se uma triagem dessas?
Este assunto vai ocupar muito tempo na mídia até surgir outro de grande interesse da população. Até lá, o que se espera é que a sociedade tenha paciência para saber, oficialmente, tudo o que aconteceu para que houvesse o acidente que matou o ex-ministro. Mais ainda, que o laudo pericial pode ser contestado. O que não resolve absolutamente nada é querer fazer do achismo pessoal uma análise pericial conclusiva desta tragédia. A urgência para saber a verdade não pode ser atendida por questões partidárias – esta é uma investigação eminentemente técnica.
Sabe-se que a única certeza nesta vida é a morte. Mais cedo ou mais tarde ela virá para todos. O problema é a forma como isso acontece. Todos afirmam que o avião é um dos meios de transporte mais seguro que existe, mas ninguém pode dizer que nunca acontecerá um acidente com ele. A história está repleta de tragédias envolvendo aviões. Por que o caso do ex-ministro seria uma exceção? As circunstâncias? Ou a velha crença na cruel Lei de Murphy? Enquanto isso, gostando ou não, todos terão que esperar o relatório final das investigações – sem ódio na mente!


J R Ichihara
27/01/2017

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