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Jornalismo
 
Marchinha outra vez na moda
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Sem a cobertura natural as ideias fluem melhor?


Mesmo nos dias atuais, para os amantes do carnaval, algumas marchinhas não saíram da moda. Independentemente da idade todos que curtem essa festa sabem de cor e salteado as letras das inocentes músicas que embalavam a alegria dos foliões. Sabe-se que a invasão do ritmo baiano, que atrai milhares de pessoas para Salvador, já faz a preferência de parte da população, mas ninguém esqueceu que houve outra forma de brincar sem as ousadias de hoje. Portanto, não se assustem se ouvirem como as melodias com frases simples alegravam o povo.
Uma marchinha em particular merece destaque pela frequência como a coincidência espelha a realidade neste século XXI. Quem não se lembra do refrão “é dos carecas que elas gostam mais”? Parece que não apenas elas, mas eles também têm uma queda pelos carecas. Aliás, ser careca neste país não significa mais degeneração orgânica, pelo menos quanto a visibilidade. Temos até uma vinheta numa emissora de TV, onde o slogan é “careca de saber”! O apresentador, claro, é um... careca! Em poucos segundos ele mostra que sabe das coisas.
Como tudo que vira moda logo se espalha, a mania não poderia deixar de chegar ao poder. Quem prestar atenção verá que a maioria dos ministros, os cargos de alta patente no Brasil, também aderiram à careca. Alexandre Moraes, Osmar Serraglio e Jose Serra são alguns dos destaques neste poderoso bloco embalado pela preferência nacional. Mas neste time ministerial cabe uma particularidade ao Alexandre Moraes. Ele deveria estar careca de saber que plagiar obras acadêmicas não é correto. Assim, quem pensou que a sua perda capilar foi pela dedicação...
Apesar do combate à calvície ser uma obsessão da ala masculina, esta característica não impede a ascensão profissional, tanto na inciativa privada quanto na pública. Exibir ou disfarçar uma vistosa careca não causa mais constrangimento aos homens. Ao contrário, alguns até optam por isso eliminando os parcos fios capilares voluntariamente. Talvez acreditando que é mesmo dos carecas que elas gostam mais. Com a adesão geral no país, os motivos para continuar lutando para ter uma basta cabeleira não faz mais sentido. Ao contrário, os carecas estão com tudo.
Vaidade pessoal quanto a aparência, todos acreditam na sociedade, faz parte do zelo com a imagem e está diretamente relacionada com a autoestima. Que confiança passa quem não se cuida? Daí que não basta ser careca, mas esse atributo, fundamental nos dias atuais no Brasil, precisa justificar o porquê de ser uma escolha unânime. E pensar que uma inocente marchinha de carnaval possui tanta assertividade com tão pouca fundamentação científica. Talvez isso seja a comprovação de que a sabedoria popular deveria ser muito mais valorizada pelas pessoas.
Quando se fala sobre as cabeças brilhantes isso pode não estar restrito à parte interna, o que a maioria considera como o diferencial entre os seres humanos. Afinal, segundo as etiquetas sociais, a aparência pode ser mais importante. Então, indiscutivelmente, a ausência de cabelos permite a demonstração de brilhantismo com mais evidência. Os brasileiros, então, como apreciadores das músicas carnavalescas, provavelmente, passarão a valorizar uma pessoa que, além da capacidade cerebral, tem a vantagem de poder mostrar a sua lustrosa parte envoltória.
Bem verdade que alguns carecas compulsórios estão longe do sucesso com a população, como no caso dos presidiários, mas essas situações são casos isolados. Qual é a forma tradicional de comemorar a aprovação no vestibular no Brasil? Não é desbastando a cabeleira? O gesto significa, orgulhosamente, a iniciação no mundo do saber, o reconhecimento da capacidade em vencer uma competição onde a meritocracia é pelo conhecimento acadêmico. Portanto, ser careca pode ser considerado um privilégio que não é pretensão de marchinha de carnaval. Quem duvida?


J R Ichihara
28/02/2017

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