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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Escudo humano?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Os verdadeiros amigos surgem nessas horas


Chama-se escudo humano a proteção que se faz a um alvo utilizando-se pessoas ao redor deste para evitar que seja atingido. Normalmente isso é feito para preservar a integridade física de alguém importante, uma celebridade... quem precisa ficar longe de ameaças inoportunas. Por isso é comum ver tais pessoas cercadas de seguranças que estão dispostas a morrer para cumprir com esta missão. Não interessa se as investidas são justificadas ou movidas pelo cumprimento da lei. O objetivo é manter à distância toda e qualquer possível intenção de proximidade.
No sentido figurado esta blindagem pode assumir uma forma tão eficiente quanto na situação materializada. Basta que pessoas assumam a culpa, através de confissões espontâneas, no lugar daquele que tenciona proteger e evitar exposição pública de atos reprováveis. Na prática isso acontece quando o subordinado assume os erros do chefe, em reconhecimento a algum favor, ou para manter a continuação de algum planejamento elaborado por uma equipe que sofreu um contratempo. Em alguns casos o motivo é a simples amizade de anos que existe entre as pessoas.
À parte qualquer consideração sobre o que leva alguém a assumir o erro de outro, o que se viu na delação premiada do ex-presidente da empreiteira Odebrecht, Marcelo, confundiu mais do que esclareceu sobre as doações de campanha para a chapa Dilma–Temer. Informações anteriores diziam que Temer pediu uma ajuda para o próprio Marcelo. Agora a história mudou. Quem tratou do assunto foi o diretor de Relações Institucionais, Claudio Melo, sendo que o seu patrão não sabia de maiores detalhes. Não saber nada sobre R$10 milhões? Como é possível?
Quando Lula alegou não saber detalhes sobre atos ilegais dos seus subordinados, a mídia e a população se sentiram insultadas. Como o chefe maior não saber o que se passava nos seus ministérios? Agora, em uma empresa privada, onde os controles devem ser bem rigorosos, ainda mais se tratando de altas somas, o argumento do desconhecimento é perfeitamente aceitável? Curioso é que sobre a doação ilegal para Dilma não houve dúvidas! Parece que o escudo do atual presidente é mais robusto do que se pensava – alguém servirá de bode expiatório neste imbróglio!
Quem busca a verdade deveria saber que ela precisa ser questionada. Quando uma revelação prejudica quem precisa manter a reputação imaculada, seja por ocupar um alto cargo público ou representar uma instituição que depende muito de credibilidade, a verdade corre o risco de ser inventada. Por que não? Afinal, numa crise, se estamos adquirindo a confiança dos empresários e da comunidade internacional, para quê pôr tudo a perder por causa de uns detalhes possivelmente contornáveis? Todos ganharão com isso! Não é este o espirito republicano?
O Brasil trava uma batalha árdua, desgastante e muito longe do fim, contra o que elegeram como o inimigo número um da administração pública, a corrupção. Como não estabeleceram uma linha divisória, o marco zero de onde partiria a luta, os prejudicados se acham no direito de remover os esqueletos do armário. Portanto, os desvios para financiar campanhas políticas, que sempre foram irrigadas pelas empreiteiras, será um novelo sem fim se puxarem a ponta solta que aparece. Aí a profecia da ex-presidenta Dilma sobre isso se confirmará: não ficará pedra sobre pedra!
Mas outra previsão também não pode ser desprezada pela população. No auge do impeachment, uma conversa de bastidores entre o senador Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, ambos envolvidos nos escândalos da Operação Lava Jato, também fazia profecias. Temer assumir e sangrar a Operação Lava Jato. Uma parte já aconteceu, conforme desejo demonstrado na estratégia. Quanto a outra etapa, pelo que se vê nos vazamentos, que continuam com ares de seletividade, apontando apenas na direção do PT e de Lula, está em andamento.


J R Ichihara
03/03/2017

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