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Jornalismo
 
Disenteria verbal, suruba e outras pérolas
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Vai no popular mesmo?


O recente bate-boca entre o ministro do STF, Gilmar Mendes, e o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, traduz, em poucas palavras, temperado com muita baixaria, como as autoridades lidam com as divergências publicamente. O pano de fundo da discórdia é sobre o vazamento da lista, segundo Mendes, dos parlamentares que serão incluídos na Operação Lava Jato. Alguém desconhecia que há vazamentos das informações sigilosas que correm na Justiça sobre o esquema de corrupção? Ou apenas ficou clara a intenção de “sangrar” esta operação?
Relembrando a gravação feita da conversa entre o senador Romero Jucá, o adepto da suruba ampla, geral e irrestrita, e o ex-dirigente da Transpetro, o Sergio Machado, a vontade de acabar com a Lava Jato já ficava transparente naquela ocasião. Afirmar que o ministro do STF faz parte dessa corrente é irresponsável, mas sua declaração de que as provas devem ser desconsideradas, por causa de um vazamento, soa muito estranha. Para o leigo, principalmente o interessado em ver todos os corruptos no lugar que merecem, isso também não vem ao caso.
A reação da Procuradoria Geral da República (PGR), tendo como porta-voz o próprio Janot, foi agressiva e baixou o nível da conversa. Mesmo não falando abertamente contra Mendes, para o bom entendedor, as palavras foram dirigidas para o acusador dos vazamentos. Publicamente ele usou termos como “disenteria verbal” e “decrepitude moral” se referindo ao antagonista. Claro que essa troca de elogios pouco resolve, mas para quem acha há limites para tudo na vida, talvez o comportamento do procurador seja a única maneira eficaz. Então...
Longe vai o tempo em que as autoridades, pelo menos no público, evitavam usar palavras de baixo calão ou inadequadas quando se manifestavam nos meios de comunicação. Havia até a forma respeitosa e o cuidado de antepor o “Vossa Excelência” ao mentiroso, demagogo ou ladrão. Tudo mudou! Mesmo os remanescentes daquela época se modernizaram para pior. Mandam o interlocutor à PQP, tomar naquele lugar ou falam que vão comer o .. de quem acham inconvenientes. Seria uma reforma na Comunicação Parlamentar? Avançamos ou retrocedemos?
Sabe-se que a convivência entre as diversidades é muito delicada. Primeiro porque a intolerância está cada vez menor. Depois, apesar dos grandes líderes espirituais pregarem a igualdade, ninguém se considera igual a outro em termos de educação, cultura e potencial de desenvolvimento. O que precisa ficar claro é que todos têm o mesmo direito às oportunidades. Se os objetivos serão alcançados depende de cada um. A desigualdade surge no impedimento do acesso ao saber e de desfrutar dos recursos naturais sem restrições. Quantos permitem dividir?
Culturalmente aceitamos que os ocupantes de altos cargos na administração pública são intocáveis. Fomos colonizados desta forma e o país se desenvolveu à custa do trabalho escravo para sustentar as mordomias da Corte Imperial. Os poucos exemplos de empreendedorismo na época do Império, como o Visconde de Mauá, não contavam com a simpatia do poder. Portanto, quem não nascia em berço de ouro ou descendia de uma família nobre tinha chance zero de adquirir um padrão de vida digno e sustentável. Séculos depois... há grandes mudanças nisso?
Quem não se ofende quando os parlamentares justificam as reformas que querem aprovar são para o benefício do povo? Terceirização é bom para o trabalhador? Já a questão do fim do “Foro Privilegiado” tem de ser meticulosamente discutida porque agrava a crise política e, por tabela, gera uma instabilidade de proporções incalculáveis no país. Mas a nuvem negra que nos ameaça ainda está por vir. Mais dia, menos dias, ninguém poderá questionar nenhuma autoridade do Judiciário e do Legislativo sem correr o risco de ser processado. Vivemos num mar de pérolas!


J R Ichihara
24/03/2017

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