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Jornalismo
 
Nem Gregos nem Troianos... a culpa é do Fisiologismo.
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA




Todo mundo chocado, perplexo, incrédulo diante da TV. Enquanto falam mal e blasfemam contra esse ou aquele ídolo de papel, chama atenção o silêncio em torno daquilo que deveríamos ter posto sobre a mesa de discussões há muito tempo: o Fisiologismo. É essa prática nociva e altamente corrosiva ao país, o cerne de tudo o que está acontecendo.
Pois é, vem de lá, da época das caravelas, o bom e velho “toma lá dá cá” na construção das relações políticas e sociais na Terra Brasilis. Cada um no seu canto, visando à satisfação de interesses e/ou vantagens pessoais ou partidárias, em detrimento do bem comum. Portanto, foi lá, no século XVI, que o tal Fisiologismo começou e, como acharam “interessante” a ideia, ele se reafirmou ao longo dos séculos.
Infelizmente, o brasileiro acha graça no discurso do “jeitinho” e, por essa razão ele se dissemina por todos os espaços da sociedade. Tem sempre alguém se achando muito esperto, querendo tirar vantagem, subir na vida sem esforço etc.etc.etc., como se nada disso fosse repercutir em amplo espectro social.
Mesmo agora, com as vísceras do país expostas em praça pública, não encontramos ninguém para fazer mea culpa e admitir sua displicência voluntária na função de cidadão. Quase que reafirmando a ideia de que por aqui é “cada um por si e Deus por todos”.
Ora, mas se não entendermos, de uma vez por todas, que mudar apenas as peças do jogo é inútil, continuaremos a retirar água da canoa com dedal. O problema do país está na cronificação de uma ideologia fisiologista. São constantemente reafirmados os discursos de que sem o Fisiologismo a política brasileira não acontece. Êpa, como assim?! Já dizia Kant que “O sábio pode mudar de opinião. O idiota nunca”.
Essa reafirmação é, na verdade, a comprovação cabal de que manter-se nessa “zona de conforto” é bastante proveitoso. Só não é, para aqueles que continuam abaixo da linha de visão dos que detêm o poder e a riqueza. Aqueles que vivem de migalhas, de promessas, da rudeza da desassistência em todos os níveis; mas, ainda sim, movem as engrenagens do progresso e do desenvolvimento nacional.
A manutenção do Fisiologismo é a materialização do nosso fundo do poço, enquanto nação. É a sangria desenfreada de recursos que jamais se converterão em benefício do cidadão comum. É a nivelação dos nossos direitos fundamentais a partir dos patamares mais insignificantes, representando a mais plena contradição ao que diz a Carta Magna de 1988, curiosamente conhecida como “Constituição Cidadã”. Curioso porque o Fisiologismo é o oposto da cidadania; ele não pensa no povo, além de mero provedor do seu benefício particular.
Então, enquanto ele esfacela as relações políticas, paralelamente, deteriora a economia. A não compreensão dessa prática nos custou à realidade de recessão econômica vivida nesses últimos anos; bem como, uma taxa de desemprego que alcançou 13,7% (ou 14,2 milhões de pessoas) no primeiro trimestre desse ano. As conquistas que o país comemorava na economia se perderam de tal forma, que as estimativas de uma eventual recuperação beiram o prazo mínimo de duas décadas adiante, caso se enfrente definitivamente os desafios impostos pelo comportamento fisiológico, ainda vigente.
Lembremo-nos das palavras da filósofa Ayn Rand, “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.
Essa lembrança é importante, porque só a reflexão e a consciência podem nos conduzir em tempos de crise, como agora. Atitudes intempestivas, além de não adiantar, só fomentam o agravamento dos desequilíbrios. Infelizmente, ainda nos apegamos em imagens, em ídolos, em discursos inflamados,... para nos abstermos de pensar por conta própria. O voto, por si só, não representa democracia e nem tampouco a ruptura com aquilo que nos desagrada; pois, ele vem sendo exercido sem a devida reflexão. A prova está aí, para quem quiser ver.
Assim, diante do momento atual, nada me é mais oportuno do que o livro Ensaio sobre a Cegueira, do escritor português, José Saramago; na medida em que entendo essa obra como um chamamento a nossa mais profunda reflexão em relação ao ato de enxergar a vida. E dentre tantas falas, escolho uma em especial para finalizar: “Se antes de cada ato nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar”.

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