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Jornalismo
 
Fogo cruzadíssimo na Saúde
Por: Marlene A. Torrigo

Seis meses após eu ter publicado o texto abaixo em sete de fevereiro, os pacientes continuam sofrendo pela ineficiência do SUS e a corrupção catastrófica impossível de deter. Os estoques hospitalares estão em via de extinção. Médicos e enfermagem estão de mãos atadas sem terem como prestar cuidados adequados aos seus pacientes. Se estava ruim, agora, literalmente, representa a morte para boa parte de eles. E todos sofrem, como sofrem? Os grandes e poderosos Golias sociais dão de ombros. De bolsos cheios, por que se importar com o povo?

"São pequenas e grandes cirurgias sendo suspensas nas instituições públicas de saúde de todo o território brasileiro por falta de materiais médico-cirúrgicos. Muitas são cirurgias que pacientes aguardaram na fila de espera por três, quatro, cinco anos. Também são curativos vários, a exemplos de extensas escaras e grandes feridas vasculares, impossíveis da realizá-los por absoluta falta de medicamentos, suprimentos e insumos hospitalares. E servidores de mãos atadas.
Segundo um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas da União os motivos que levam a falta de estrutura são: “falhas nos processos de licitação (59%); erros no gerenciamento dos estoques central e local (18% e 10%, respectivamente); problemas na distribuição dos bens entre as unidades (9%); não entrega pelos laboratórios nos prazos estipulados (9%); falta de comunicação sobre baixos níveis de estoque (9%); expiração dos medicamentos (5%); e deficiências no fornecimento de remédios pelo Ministério da Saúde (4%); entre outros.”
Resumindo: As razões são pela falta de uma gestão logística eficaz. Pessoas indicadas por amigos para os chamados cargos de confiança, a fim de exercer determinadas funções, mas despossuídas de qualificações para tanto, trabalham de modo atravessado, enviesado. Trata-se da problemática da política pública brasileira, a grande máquina de fazer dinheiro para bolsos corruptos.
As falhas acontecem e não são de hoje, contudo, o fator agravante deste começo de 2017 são as trocas de lideranças. Novos prefeitos assumiram velhos débitos dos seus antecessores. Com pagamentos atrasados, fornecedores recusam-se a entregar novos pedidos. Enquanto o impasse burocrático para resolver esse problema de monta perdura, os estoques das unidades dos municípios vão diminuindo.
Deste modo, procedimentos médicos e de enfermagem vão sendo desmarcados. Os pacientes, não querem saber das dificuldades burocráticas. Querem, isto sim, serem acolhidos com dignidade diante das suas dores e medos. Assim, nervosos e revoltados, acusam os servidores. Na instituição onde eu trabalho um paciente de úlcera, acredita que a enfermagem esconde os materiais para realização de curativos a fim de favorecer parentes e amigos. Uma paciente, tolhida na dor, vociferou para uma colega minha que se não roubássemos tanto não faltariam remédios nem material. Evidentemente que quem paga o pato maior é sempre a enfermagem.
Prefeituras e Secretárias de Saúde sofrem um bombardeio cerrado por parte da população, e servidores ficam em meio ao fogo cruzado. Até que se paguem débitos atrasados, até que sejam percorridos todos os trâmites burocráticos para que os materiais cheguem às unidades de saúde, haja psicologia para lidar com os pacientes revoltosos - e com toda razão."

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