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Jornalismo
 
Liquidação de bens?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Se dá prejuízo por que alguém quer comprar?


A recente notícia de que o governo brasileiro vai privatizar a Eletrobras, a estatal que controla a geração de energia elétrica no país desviou o foco de todo e qualquer assunto que estava sob os holofotes da mídia. A justificativa do ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, é que a empresa dá prejuízos, além de não comportar vários salários na faixa de R$60 mil para alguns funcionários. Se os números não mentem, no período de 2003 a 2011, apesar do sucateamento, houve um lucro médio de R$2 bilhões por ano. Qual seria o verdadeiro motivo?
Sabe-se que a gestão petista não era adepta da privatização, muito pelo contrário. Os oposicionistas do PT criticaram muito a estatização do país – e até as partilhas feitas pelo governo. Mas se a análise for desapegada de paixões político-partidária, o problema não é a natureza do serviço prestado ser público ou privado. O que interessa é a eficiência do gerenciamento. Qual é a garantia de obediência às leis, normas, regras e decretos que norteiam a atividade, que isso será totalmente obedecido só porque a empresa é privada? Os exemplos estão aí para mostrar.
Enquanto o país insistir na regra do “dois pesos e duas medidas” nenhuma atividade pública atenderá as necessidades do brasileiro. De que adianta constar em Lei que nenhum servidor público pode ganhar salário superior ao presidente da República, se os inúmeros exemplos mostram a inutilidade disso? Por outro lado, como aceitar que a causa do desequilíbrio orçamentário é a Previdência Oficial, a que paga o salário mínimo dos aposentados? E o que fazem os gestores diante do tal déficit? Cortam os recursos nas áreas prioritárias. Simples assim!
Com todos os deslizes cometidos pelo PT – e aqui vale registrar que foram muitos – uma mudança de comportamento não pode ser desprezada. Reacenderam-se a esperança de sair da total dependência dos países desenvolvidos. A Petrobras, apesar de todas as denúncias de corrupção nos seus contratos, mostrou que o país tem capacidade para explorar suas riquezas naturais de forma sustentável, como no caso do gás de Urucu, no Amazonas, e da exploração do pré-sal. Será por isso que também vai ser privatizada? E pensar que havia um sonho em pauta.
Mas se não sabemos explorar a riqueza de forma a trazer benefício para o povo, o que devemos fazer? Entregar a quem tem competência para isso? Continuar sendo o eterno fornecedor de commodities? Se havia uma perspectiva de evoluir tecnologicamente, investindo nas empresas estatais de ponta, o sonho pode ter acabado. A Vale do Rio Doce, que era estatal, e também não dava prejuízo, foi entregue à iniciativa privada. Depois de implantar toda a infraestrutura necessária... Por que? Ainda não aprendemos a gerenciar os bens nacionais?
O recente decreto de Temer que autoriza a exploração da área de Reserva Nacional de Cobre e seus Associados, RENCA, uma extensão de 46.450 Km², localizada na floresta amazônica, abrangendo os estados do Pará e Amapá, deu o que falar. O local foi considerado estratégico pelo Regime Militar, durante o governo Figueiredo, mas agora está liberado para comercialização até por empresas estrangeiras. Fala-se que um grupo canadense já sabia disso muito antes da divulgação oficial. Outro recurso que não sabemos explorar com sustentabilidade?
Infelizmente, para nossa decepção, a responsabilidade das empresas privadas, inclusive das estrangeiras, não aponta que a privatização foi uma boa saída para o Brasil. Alguém esqueceu a maior tragédia ambiental no país? Pois é. A Samarco, controlada pela privatizada Vale, até hoje não reparou os prejuízos causados em Mariana-MG, pelo rompimento de uma barragem. Resta, portanto, fora os valiosos bens materiais entregues, o recurso humano, aquele que vai fazer toda a diferença. Mas como fazer isso sem uma educação pública de boa qualidade? Então...


J R Ichihara
29/08/2017

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