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Jornalismo
 
Preocupação com o terrorismo: isso procede?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Não estamos livres disso!


O que o recente ato terrorista ocorrido em Barcelona, numa rua muito frequentada por turistas, onde morreram 16 pessoas e mais de 100 ficaram feridas, provocou no Brasil? As cenas e os depoimentos mostrados na mídia comprovam a clara intenção de quem dirigia a van que atropelou as vítimas. Viu-se que parte da população local, assim como os frequentadores que estavam de passagem, não está disposta a deixar de circular neste local por causa deste ato insano. Claro que o cuidado precisa ser redobrado e outras providências de segurança tomadas.
Aos brasileiros que acharam um absurdo inaceitável de violência contra o direito de ir e vir das pessoas, principalmente os moradores do Rio de Janeiro, é preciso uma reflexão sobre o que acontece em terra brasilis. O terrorismo que tem assustado nas grandes cidades da Europa tem como alvo locais onde há um aglomerado considerável de pessoas. Isso porque o objetivo é chamar a atenção – sabe-se lá de quê. É um ato covarde porque um dos lados está indefeso, além da surpresa de um ataque inesperado. Os motivos podem ser religiosos, ideológicos, raciais.
Mas no Rio de Janeiro, sem terrorismo, 100 policiais militares foram assassinados só neste ano pela violência urbana financiada pelo narcotráfico. Alguns nem estavam em confronto com as gangues nas favelas da cidade. O problema é que o modus operandi dos traficantes não atinge apenas os policiais. Durante um tiroteio – entre gangues rivais ou com a polícia – toda a vizinhança sente os efeitos, deixando como saldo disso vários casos de vítimas inocentes, os alvos das balas perdidas. Nessas horas, escolas, comércio, postos de saúde suspendem as atividades.
Talvez pelas cenas do terrorismo na Europa, exibidas na mídia, a população brasileira internalizou mais esta preocupação. Mas, conscientemente, estamos mesmo na mira dos atos terroristas dos fanáticos do Oriente Médio? Pelo sim, pelo não, vimos uma cena numa rua de Copacabana, um bairro nobre do Rio de Janeiro. Um jovem sírio, vendedor de esfihas, foi agredido verbalmente por outro ambulante sob alegação que estava tirando o emprego dos brasileiros. Se os atos do EI (Estado Islâmico) são movidos pela xenofobia, estamos atraindo isso para nós.
Existe um evento de repercussão mundial com um aglomerado de pessoas maior que o carnaval no Rio de Janeiro ou em Salvador? O que dizer do Réveillon nas areias da praia de Copacabana? Quantas tentativas de atos terroristas o Brasil sofreu durante as Olimpíadas e Copa do Mundo? Até onde chegou ao conhecimento público... absolutamente nenhum! Mas, convenhamos, seria muita carga para a população que, além da guerra urbana do narcotráfico, ainda tivéssemos que nos preocupar com o terrorismo. Aí era o jeito arrumar as malas e partir.
Se o terrorismo foca em um objetivo específico contra pessoas indefesas com a finalidade de espalhar pânico, os casos brasileiros são escassos nos últimos 50 anos. As ações da esquerda, durante o Regime Militar, podem ser consideradas terrorismo quando assaltavam bancos e explodiam bancas de revistas em algumas cidades. Já as guerrilhas urbanas e os confrontos nas selvas colocavam pessoas armadas, de ambos os lados, apesar da evidente desvantagem dos guerrilheiros. Não temos registros de pânico em locais de grande aglomeração como ato terrorista.
Felizmente somos um país abençoado por Deus e bonito por natureza. O nosso caso de terrorismo mais conhecido foi o atentado ao show do Dia do Trabalhador, no Rio Centro, no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1981. Uma das bombas que detonaria para gerar pânico entre as centenas de pessoas presentes, com o objetivo de colocar a culpa nos integrantes da esquerda, explodiu dentro do carro ocupado pelos militares encarregados da operação. O tiro saiu pela culatra e o Regime Militar caiu ainda mais na aprovação popular. É o que diz a nossa História...


J R Ichihara
30/08/2017

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