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Jornalismo
 
Cleptocracia, plutocracia, Judiciário parcial... Adeus Democracia
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O país dos intocáveis e dos vulneráveis


Até que o brasileiro, o sobrevivente do Regime Militar, sentiu um gostinho da tão sonhada Democracia pela qual muitos lutaram e alguns até perderam a vida para conquistarmos. Aprovada a Constituição Cidadã, em 1988, anunciada com muita festa e esperança, pelo falecido deputado Ulysses Guimarães (PMDB – SP), a população comemorou a liberdade e os direitos negados pela Ditadura imposta pelos militares. Os chefes do Executivo (municipal, estadual e federal) seriam eleitos pelo povo e os parlamentares protegidos da cassação imotivada. Tudo seria diferente!
Mas no que se resumiu toda alegria sentida trinta anos atrás? Um Legislativo, que era a maior esperança de que as leis seriam no sentido de beneficiar a população, totalmente contaminado pela corrupção; um Executivo também movido por esquemas montados para surrupiar os recursos públicos; um Judiciário conivente com tudo que há de ilegal e vergonhoso, onde o julgamento se baseia apenas na relação interpessoal com o réu. Portanto, saímos de uma forma de ditadura e caímos em outra também cruel. A grande diferença é o direito de questionar.
Infelizmente, para nosso azar, até a mídia que outrora tentava criticar os abusos e as irregularidades, apesar da atuação da censura prévia e da repressão através da violência, hoje age de acordo com os seus interesses comerciais. Quando escolhe alguém para vítima, como mostrado contra a gestão petista, bate diuturnamente nesta, mas se simpatizar com o denunciado, habilmente lança mão do jogo de palavras e tudo fica por isso mesmo. Esperar imparcialidade neste mundo é mais do que utopia... No Brasil, então, isso é pura ingenuidade coletiva.
O fato é que a impunidade que tomou conta do país fortaleceu a cleptocracia, um Estado governado por ladrões, a plutocracia, onde só os mais ricos exercem o poder público, além da politização do Judiciário, no qual os membros atuam mais como partidários do que como guardiães das leis. Daí que nada sobra para que a sociedade viva sob um verdadeiro regime democrático de direitos constitucionais. Cada Poder faz o que bem entende e está se lixando para a opinião pública, muito menos se acha na obrigação de prestar qualquer esclarecimento sobre seus atos.
Tanta decepção seria o motivo para alguns desejarem o retorno dos militares ao comando do país? Será que provamos que não temos competência para governar quando podemos escolher o caminho? Ou a corrupção é algo inerente apenas aos civis? Até onde a História mostrou ao mundo, há exemplos de corrupção nos ditadores militares às toneladas. Por que a convicção sobre a honestidade imaculada dos nossos líderes das Forças Armadas? Se os poderes legalmente constituídos para manter a Lei e a Ordem não o fazem... para que existem?
Como nada satisfaz a ambição dos donos do país, os golpistas querem tirar cada vez mais os direitos das pessoas que os mantêm no poder. Sob a alegação de que só pensam no futuro da população, usam argumentos insustentáveis, perante um debate sério e responsável, para aprovar reformas que em nada melhoram a vida do trabalhador. Mais ainda: querem mudar o regime de presidencialismo para parlamentarismo. Alguém imagina um Parlamento com a credibilidade das pessoas que se elegem aqui? Como fazer algo positivo sendo avaliado por tantos corruptos?
Lamentavelmente, o respeito anda tão desvalorizado que um indivíduo ejaculou no rosto de uma mulher, dentro de um ônibus, mas o juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto, do Tribunal de Justiça de São Paulo, entendeu que o que ele fez não é motivo para ser preso. Justificou citando a lei. Poucos dias depois, o mesmo sujeito foi pego novamente atacando outra mulher dentro do ônibus. Disso tudo, resta que as leis e o entendimento jurídico neste país estão muito longe assegurar que todos tenham o direito de ir e vir sem passar por qualquer constrangimento público. Talvez esperma no rosto dos outros seja refresco.


J R Ichihara
03/09/2017

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