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Jornalismo
 
Uma mala, várias malas... Que tal um apartamento cheio?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Dinheiro, pra quê dinheiro!


Viralizou em todos os meios de comunicação a descoberta de um apartamento cedido ao ex-ministro Geddel Vieira Lima para, segundo informações, guardar os pertences do seu pai já falecido. Mas o assombro da quantia encontrada em várias malas, perfazendo um total de R$ 51.030.866,40, onde estavam incluídos US$ 2,688 milhões, não teve tanta repercussão na mídia tradicional. Por que? A fortuna estava armazenada em 9 malas e 7 caixas de papelão e lotou os porta-malas de 2 camionetes para ser transportada. Ele lutou contra o PT por causa da corrupção.
Estranhamente, a mídia deu mais destaque à denúncia do ex-ministro Palocci ao juiz Sergio Moro, onde ele cita o pacto de sangue entre Lula e a Odebrecht, assim como o conhecimento que o ex-presidente tinha sobre a aquisição do terreno do Instituto Lula, que recebeu R$4milhões na forma de propina. Nessas horas, onde a prioridade no país é combater a corrupção, alguns se perguntam quais são as intenções da mídia e da Justiça quando ameniza um escândalo envolvendo alguém próximo do presidente Temer. Por que a quantia é desprezível?
Outra manchete que ofuscou o apartamento cofre-forte foi a denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República) contra Lula e Dilma, por organização criminosa e obstrução da Justiça. As opiniões na sociedade se dividem, mas a estranheza com as atitudes do atual procurador Rodrigo Janot, às vésperas de deixar o cargo, aumenta a olhos vistos. Muitos acham que ele está disparando para todo lado, sem saber ao certo aonde está o alvo que quer acertar. Para os antipetistas pouco importa se o assunto é requentado, o que vale é prender Lula e Dilma.
Mas a batalha sem tréguas entre os coxinhas e os mortadelas, que só interessa aos partidos que abrigam todo o esquema de corrupção, não pode ficar sem combustível. Se o Geddel foi ministro no governo petista e depois no misto de tucanos com peemedebistas, pouco importa para o contribuinte. Roubou? Cana nele! Provaram que Lula e Dilma comandavam um esquema de roubalheira? Xilindró para eles! Qual é o problema? Enquanto a população entrar nesse jogo estimulado pelos manipuladores, a impunidade se fortalece e a Justiça enfraquece. Acorda, povo!
Infelizmente, para nossa decepção, a Operação Lava Jato não cumpriu com o objetivo que a população esperava – mostrar aos corruptos que a Lei é para todos. Não adianta exibir um filme, de intenção questionavelmente duvidosa, achando que o brasileiro apartidário vai acreditar que a nossa Justiça é imparcial. Da mesma forma, como se sentem os que não foram importunados, um milésimo de segundo que seja, apesar de tantas denúncias contra eles? Não precisa desenhar para o bom entendedor. Mas para os atacados diuturnamente... Precisa, sim.
Se os mais de R$51 milhões encontrados saíram dos cofres públicos drenados pelo propinoduto, certamente faltou chegar em algum destino que beneficiaria os usuários de algum serviço essencial. Provavelmente nunca saberemos de onde essa dinheirama veio, muito menos para onde iria. Se Geddel, o ocupante temporário do apartamento não souber explicar como as malas e as caixas foram parar lá... Alguém acha que quem enviou as encomendas vai se pronunciar? O que a Justiça vai fazer com o Geddel? Ele nem se pronunciou publicamente!
Quem viu a imagem do Geddel esbravejando contra a corrupção implantada pelo PT não gostaria de vê-lo falando algo sobre as malas e as caixas encontradas no apartamento cedido para ele guardar os pertences do falecido pai? A história é cruel e os fatos, quando jogam contra, podem ser muito desagradáveis. Há 195 anos, Dom Pedro I imortalizou o Grito da Independência, o que significava cortar os laços de subserviência à Portugal. Agora, Geddel poderia imortalizar o Grito da Independência Financeira pessoal. Mas por pouco, muito pouco, isso não aconteceu!


J R Ichihara
07/09/2017

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