A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco | CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 
Jornalismo
 
Se num lado falta... No outro transborda
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Sindicato é prejudicial, inclusive o patronal


O cofre-forte particular do ex-ministro Geddel Vieira comprovou o enorme contraste que sempre se denunciou no Brasil. Enquanto milhares de servidores públicos estão sem receber, assim como milhões foram demitidos por falta de dinheiro, em apenas um apartamento destinado a guardar pertences do falecido pai, dormia mais de R$51 milhões. Claro que a quantia não era para investir em atividade para gerar emprego e renda – o cansativo jargão que justifica todas as reformas em andamento -, muito menos saiu diretamente dos cofres públicos. Qual era o destino?
Quem observou os comentários sobre a compra de votos para a aprovação das medidas, na forma de liberação das emendas parlamentares, desconfia que toda a grana encontrada poderia ser para o “agrado” que o Planalto faria com quem estivesse alinhado com suas propostas. Isso é impossível? Tão inaceitável quanto dizer que todo mundo tem um preço. Mas de onde sairia tanto dinheiro se a sociedade e a Justiça, com a caça às bruxas contra os corruptos, estão muito atentas e com as garras afiadas? Bom... Os empresários têm muito interesse nas aprovações.
Fala-se que o esquema de corrupção, seja de que natureza for, só usa dinheiro vivo, de preferência em moeda forte como o dólar. A operação financeira é engenhosamente realizada para não permitir que o rastreamento seja facilitado. Portanto, origem, lavagem e destino percorre um intrincado caminho que exige a análise de especialistas para comprovar a irregularidade. Mas no caso das botijas encontradas no apartamento cedido ao Geddel, parece que não havia a preocupação de esconder absolutamente nada. Por isso cabe a dúvida: narcotráfico ou propina?
Mas suposições não provam absolutamente nada, pelo contrário. A liberdade para imaginar as alternativas, porém, não é considerado crime nem acusação infundada – apenas um direito de opinar sobre algo fora do normal. Perguntar não ofende, né! A tarefa de elucidar isso, sem que reste qualquer sombra de dúvidas, é exclusividade dos órgãos responsáveis e pagos para esclarecer o caso. O fato é que nenhuma empresa deixaria tanta grana legalizada perdendo rendimento fora de uma aplicação. Quem sabe alguém resolveu fazer uma doação generosa?
Diante de tanta incerteza sobre a origem e o destino final da fortuna encontrada, o que acontecerá se não aparecer o dono da dinheirama? O Estado poderá usá-lo para custear o combate ao narcotráfico ou à corrupção? Geddel pode simplesmente dizer que não sabe explicar como as malas e as caixas foram parar lá? A Justiça acatará o pedido da mãe dele, que alegou que o mesmo não é ladrão, mas apenas um doente? O choro dele, perante às câmeras, é suficiente para provar sua inocência? Enfim, a mídia já o ajudou bastante desviando o foco disso.
Ninguém precisa ser um mago das finanças para concluir que a quantia encontrada serviria para amenizar o sofrimento dos milhões de brasileiros excluídos. Se a decisão ao entregar tanto dinheiro, sabe-se lá com que objetivo, para alguém que foi acusado de várias irregularidades, tinha como meta obter mais vantagens e lucro financeiro, os doadores só estavam aumentando a desigualdade e retroalimentando a tensão social no país. Alguns já estão fartos da conversa de que o único caminho para a saída da crise está nas mãos dos empresários. Como acreditar nisso?
Infelizmente os esquemas de corrupção evoluem mais rápido que os mecanismos de combate. Quem imaginaria que as quantias que cabiam em meias e cuecas, o antiquado modus operandi dos aloprados petistas, fossem evoluir para mala de grife e apartamento caixa-forte? À medida que surgem denúncias envolvendo figurões do governo federal, a população fica cada vez mais reticente sobre a confiabilidade das instituições responsáveis pelo cumprimento das leis no Brasil. Se considerarmos o olhar externo sobre o nosso país... É muito difícil não sentir vergonha!


J R Ichihara
12/09/2017

Comente este texto

 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: GcXM (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.