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ODILON DE MATTOS FILHO
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Jornalismo
 
“ISTO É” COISA DE JAGUNÇO E NÃO DE JORNALISMO...!
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

Desde o início do século XIX, a palavra imprensa foi descoberta como um grande potencial econômico e ideológico, invertendo o seu papel de meios de comunicação da cultura popular para se tornar uma empresa “abertamente organizada por empresários da indústria do lazer, fortemente estruturada em função de certo público-massa e, necessariamente, distinta das experiências da alta cultura1” (Eclea Bosi).

E realmente a psicóloga e escritora Eclea Bosi tem razão. A imprensa se tornou um grande negócio e a política um dos maiores caixas para o lucro fácil dessas empresas.

Sabemos que os editoriais têm como objetivos trazer a opinião do jornal ou da revista sobre determinada matéria. No Brasil, além dos editoriais, os jornalistas da grande mídia trabalham como caixas de ressonâncias do “pensamento único” de seus patrões, ou seja, até as reportagens possuem teores opinativos dos donos dos jornalões.

Como se sabe, no Brasil os “Barões da mídia” se comportam como as elites cheirosas, ou seja, instigam o ódio, o preconceito, a intolerância e são, declaradamente, contrários aos programas de inclusão social, como por exemplo, as cotas raciais, Bolsa Família, o ProUni, ENEM, etc. Esse comportamento da mídia nacional é de fácil explicação: os donos dos meios de comunicação, digo, dominação, não querem a ascensão social das camadas mais pobres, pois, isso significa menor controle e dominação da classe pobre.

Na última semana e corroborando esse mau comportamento da mídia hegemônica, vazou nas redes sociais um comentário racista de um dos mais bem pagos e conhecido jornalista da Rede Globo, William Waack. Antes de iniciar uma entrevista com um convidado nos EUA o jornalista global, sem perceber que os microfones estavam ligados reclamou de um barulho de buzina e disse a seguinte e abjeta frase: “Tá buzinando por que, seu merda do caralho? Não vou nem falar, que eu sei quem é. Sabe quem é, né? Preto, né!? Isso é coisa de preto, com certeza...2”.

Não deu outra: esse comentário racista e sujo foi parar nas redes sociais e teve uma gigantesca repercussão negativa, tanto, que Rede Globo, com receio de que tal despautério respingasse na sua imagem, agiu com rapidez e afastou William Waack de seus programas.

Esse repugnante comentário, por ironia do destino, joga por terra a “tese” defendida no livro “Não somos racistas” escrito pelo Diretor de Jornalismo da Rede Globo Ali Kamel que tenta vender a ideia de que o brasileiro não é racista.

A propósito, sobre essa fala de William Waack o Relações Públicas Alex Hercog, escreveu:”...Há uma cortina de fumaça no Brasil que busca desprezar o racismo estrutural que compõe a sociedade e as instituições brasileiras, e que vende a ideia de que o racismo só é manifestado a partir de ofensas e xingamentos...O discurso midiático racista é o mesmo que nos ensina que trabalhadores e trabalhadoras são baderneiros, quando fazem manifestações e atrapalham o trânsito. E que o sem-terra é um invasor ou que o problema do tráfico de drogas se concentra nas favelas...E é compreensível esse discurso. Basta analisar quem está por trás dos âncoras e das reportagens,quem são os donos da mídia e quem os financia. Não espere que a Globo, ao tratar dos altos índices de homicídio, chegue ao problema das drogas e, ao chegar, se depare com as fazendas do agronegócio por onde os helicópteros carregados de cocaína pousam e decolam...Esse fato é omitido, afinal de contas, são os barões do agronegócio que enchem os bolsos dos magnatas globais e não as milhares de família, em sua maioria negras, que sequer têm um pedaço de terra..3”.

Passados poucos dias desse vergonhoso e criminoso fato, eis que surge mais um Global destilando seu ódio, sua intolerância e, em tese, cometendo, também, outro delito, desta feita o de incitação à prática de crime (Art. 286 do CP). O provável crime fora praticado pelo, também, jornalista, Mario Vitor Rodrigues da revista IstoÈ. A matéria assinada por ele trás o seguinte e sórdido título: “Lula deve morrer”. Lendo a matéria nota-se, por óbvio, que o jornalista diz morte de Lula em sentido figurado, porém, sabemos que nesse momento de intolerância que o Brasil vive e a impiedosa caçada ao presidente Lula, esse título é como atear gasolina na fogueira, ou seja, pode despertar a ira dos apoiadores de Lula e por outro lado, fomentar, ainda mais, o ódio daqueles que, realmente, torcem e querem a morte do presidente Lula.

Como não poderia ser diferente, a matéria ganhou grande repercussão e revolta nas redes sociais. Temeroso, Mário Vitor que não tem culhões para arcar com as consequências de seus atos, acovardou-se diante do eco negativo de sua matéria e como um cordeiro, uma vítima hipócrita, apagou suas contas nas redes sociais e foi correndo à Delegacia Civil solicitar proteção policial.

Aliás, comentando essa provocação do canalha Mário Vitor, o seu colega Paulo Moreira Leite escreveu: “...Após lançar o fantasma de um crime no ar, o passo seguinte é assumir a posição de vítima e alegar que tem sofrido ameaças. O terceiro lance é convencer as autoridades policiais começar a busca de "suspeitos". O quarto é enrolar-se na bandeira da liberdade de imprensa e denunciar "petralhas autoritários que apoiam Lula". E assim por diante, na infinita história das operações sujas contra a luta dos trabalhadores..4.”

Neste mesmo sentido o sociólogo Marcelo Zero “golpeia” Mário Vitor:”... De fato, o artigo, um somatório mal-ajambrado de clichês antipetistas, choca pela estupidez manifesta e pelo ódio desavergonhado. Mas não surpreende. O golpe abriu a porteira para uma direita tão obtusa quanto violenta. Há muito que o Brasil foi tomado por uma horda de insanos protofascistas...O artigo do bocó da revista sustentada por generosas verbas governamentais é apenas mais uma da série infindável de violentas manifestações antidemocráticas. Assim, não se trata de ponto fora da curva. O que esta definitivamente "fora da curva" em uma sociedade democrática é o espaço e o poder que se dá a essas figuras intelectualmente nulas e moralmente abjetas..5.”.

Diante de todo esse lamaçal midiático podemos chegar à conclusão de que a grande mídia brasileira, longe da prática de um jornalismo independente, plural, responsável e investigativo, não passa de meras empresas que vivem em compadrio com as elites oligárquicas do país e sendo seus jornalistas, com raras exceções, meros e desprezíveis jagunços a serviço de seus patrões, os barões da mídia.




















1Fonte: http://www.fpabramo.org.br/o-que-fazemos/editora/teoria-e-debate/edicoes-anteriores/cultura-palavra-e-massa
2 Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/muito-alem-do-cidadao-waack-o-racismo-estrutural-na-midia-brasileira
3 Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/muito-alem-do-cidadao-waack-o-racismo-estrutural-na-midia-brasileira
4 Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/327093/Provoca%C3%A7%C3%A3o-'Lula-deve-morrer'-tem-roteiro-cl%C3%A1ssico.htm
5 Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/marcelozero/327205/O-%C3%B3dio-deve-morrer.htm

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