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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quando quem leva uma bofetada não oferece a outra face...


A morte de policiais no Rio de Janeiro é assunto que chama muita atenção da sociedade brasileira e do mundo. Equipara-se, em audiência, com a corrupção e com o desenrolar do processo contra o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato. Dificilmente sai do ar se não houver ocorrência que prenda a atenção do telespectador nos noticiários. Mas por que isso ganhou proporções que parecem fora do controle das autoridades? Segundo os registros oficiais, já são 126 policiais mortos somente neste ano, sendo 27 deles durante o serviço contra a criminalidade.
De acordo com as informações da Secretaria Nacional de Segurança Pública e do Instituto de Segurança Pública, 78 policiais morreram quando estavam de folga e 21 já estavam aposentados. Ou seja, somente 27 perderam a vida em confrontos com as organizações do narcotráfico. Esses números dizem alguma coisa sobre as mortes? Afinal, os 27 representam apenas 20% do total de vidas ceifadas na PM. Haveria algum motivo para os outros crimes que, pelas características, assemelham-se a vinganças? Ou tudo isso foi apenas mera fatalidade?
O que muitos defensores da morte de bandidos não perguntam é quantos inocentes já morreram por causa das atuações desastradas da Polícia Militar, no mesmo período. A intenção do questionamento não é defender mocinho ou bandido, mas tentar entender a causa de tanta matança. Segundo os dados informados pela mídia (UOL/SP, 01/11/17), 813 civis foram mortos em consequência das operações da PM, no Rio de Janeiro. Portanto, para cada policial morto, 30 inocentes, em nada envolvidos no objetivo das operações, deixaram as suas famílias. Então...
Logicamente que muitos aplaudem quando os telejornais divulgam o sucesso das batidas nos pontos de venda do narcotráfico nas favelas. Da mesma forma que criticam quando alguém defende que a morte das “mulas”, as formiguinhas do negócio, não é a forma inteligente de combater essa modalidade de crime. Mas o que falam os defensores da morte quando a bandidagem resolve eliminar o agente da Lei? O fato é que o radicalismo, o incentivo para o confronto onde o que vale é a baixa numérica do outro lado, está mostrando a sua ineficiência.
Para quem gosta de Justiça, independentemente da situação do bandido e do mocinho, um episódio manchou a nossa no caso da execução no presídio Carandiru, em São Paulo, há 25 anos. Naquela operação a Polícia Militar invadiu um pavilhão, onde havia uma rebelião, matando mais de 100 presos. As autoridades da época apoiaram a atuação, ninguém foi condenado e a vida seguiu em frente. Será que havia o risco dos presos, que estavam confinados e desarmados, dominarem o sistema prisional? Não há nenhum treinamento específico para essa situação?
Infelizmente o combate à criminalidade sempre vai ter de contar com a força policial. Talvez sem a determinação de simplesmente matar o infrator, mas lançando mão de outras técnicas para isso. A situação chegou a tal ponto que um oficial, pelas suas mensagens nas redes sociais, incentiva seus comandados a matar quem ele considera bandido. Será que isso consta nos manuais de procedimentos desta Corporação? E quando uma reação acontecer... O oficial que elege a morte como única solução vai dizer o que para a família do seu subordinado morto?
Tanta complexidade neste problema exige uma proposta de solução mais bem elaborada tecnicamente. Será que a formação do efetivo da Corporação está alinhada com os objetivos da missão? Se numa penitenciária, onde o confinamento restringe a atuação dos presos, houve um desastre como o do Carandiru... Imaginem o comportamento dessas pessoas num confronto aberto nas comunidades das favelas do Rio. Portanto, não adianta lamentar apenas as baixas na Polícia Militar se não houver um exame de consciência analisando os inocentes que ela matou.


J R Ichihara
13/12/2017

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