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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Telexfree, bitcoin... O que vem depois?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O risco do esperto virar otário!


Ciclicamente surgem novas modalidades de se ganhar verdadeiras fortunas, de forma rápida e segura, através de aplicações financeiras. Nada do estressante acompanhamento das oscilações na Bolsa de Valores, ou do inseguro mercado imobiliário, que resultou no desastroso subprime e estourou a bolha especulativa jogando o mundo numa crise desde o final de 2008. Os espertalhões logo inventaram o Telexfree, que também deixou muitos com os bolsos abarrotados, mas levaram outros tantos à bancarrota – alguns venderam tudo que tinham para apostar nisso.
Quem pensava que os adeptos de ficar rico da noite para o dia, sem fazer muito esforço, pisaram no freio depois dessas fraudes se enganou redondamente. Eis que surge uma nova forma de virar milionário sem o menor risco e com pouco esforço, segundo publicações nas redes sociais. Trata-se do bitcoin! Mas o que é isso? É o assunto do momento no mundo dos investimentos, só que o ambiente é puramente virtual. De acordo com as informações de especialistas, a moeda foi criada por alguém chamado Satoshi Nakamoto, que nunca foi identificado pessoalmente. Então...
O grande problema é que essa nova mania não tem amparo legal, controle governamental ou garantias regulamentadas através dos órgãos fiscalizadores. Não seria mais um engodo para ficar com o suado dinheiro ganho pelas pessoas? Quem se lembra das maravilhas que diziam do Telexfree, na época da explosão dessa novidade? O que se sabe é que os ganhadores das fortunas comentadas foram os primeiros investidores... Os demais levaram um tremendo ferro! Como recorrer à Justiça num caso desses? Ganhar sem esforço nunca foi comprovado na prática.
Um programa na TV aberta mostrou o caso de dois jovens da periferia de São Paulo que resolveram investir nesta nova febre, atraídos pela possibilidade de ficarem ricos sem muito sacrifício. Um deles já quitou o carro financiado só com os rendimentos do bitcoin. O colega falou que acredita no negócio e logo estará com a conta mais gorda. Nas redes sociais circula mensagem onde um jovem, que trabalhava num Lava Jato, estudou e investiu nisso e já pode até comprar a sua BMW. Foi inspirado na dica de outro jovem dono de uma BMW que ele lavou!
A febre é tão alta que ganhou adeptos até no comércio. Alguns estabelecimentos já aceitam o pagamento com bitcoin. Seria uma versão moderna da febre do ouro que ocorreu no Velho Oeste norte-americano? Em termos de entusiasmo, sim. O que diferencia daquele acontecimento é que não há oportunidade para atividade de suporte, aquilo que pode se comparar com a venda de pás, picaretas e outros utensílios usados para a escavação. Nesta mina de ouro do século XXI, o futuro milionário só precisa de um computador e alguma quantia em dinheiro vivo.
Infelizmente as lições do passado que a história registra como fraudes não arrefecem o entusiasmo de quem quer usar um atalho para a fortuna. Fala-se que o valor do bitcoin, entre 1º de janeiro deste ano e o início de dezembro atual, passou de pouco mais de US$ 1 mil para mais de US$ 10 mil. Realmente, qual investimento valorizou assim? Aos cautelosos com tanta euforia, é prudente lembrar que o Telexfree, nome fantasia da brasileira Ympactus Comercial S/A, mostrava desempenho no mesmo diapasão, mas deu no que deu. A Bolha, nos EUA, também.
Talvez o maior problema nem seja a falta de garantias do bitcoin no caso de Satoshi Nakamoto resolver dar um calote nos investidores – cada um assumiu o risco -, mas a utilização disso para “lavagem” de dinheiro ilegal. O que impediria de isso acontecer? Se os investimentos legalmente permitidos dão errados muitas vezes, como acreditar que algo pouco transparente atenderá os interesses de quem decidiu aplicar todos os seus recursos num negócio totalmente virtual? O que lastreia a valorização do bitcoin? Hoje alguém ri, mas muitos podem chorar amanhã.


J R Ichihara
19/12/2017

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