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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Fusão e falências no ar
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Voar é com os homens!


O anúncio da fusão entre a Boeing, dos Estados Unidos, com a ex-estatal Embraer, do Brasil, causou turbulência no ar de brigadeiro. Para os nacionalistas de plantão é mais um entreguismo do que já foi um símbolo nacional. Aos neoliberais convictos, é mais uma ação para a sobrevivência no competitivo mercado de aviações. Para o leigo, que só enxerga a ameaça de monopólio, trata-se apenas de mais um aumento do poder, onde o mais forte acaba engolindo o mais fraco. Na realidade, só há dois grandes fabricantes de aviões no mundo: Air Bus e Boeing!
A previsão de que num futuro próximo só haveriam seis conglomerados que dominariam a oferta de produtos e serviços no mundo está cada vez mais perto de se confirmar. Assim, grupos financeiros, montadoras automobilísticas, produtos de higiene e limpeza, rede de supermercados... serão totalmente dominados por meia dúzia de empresas. Isso é bom ou ruim para o consumidor? Wal-Mart, Procter&Gamble, entre outras, já comprovam isso? Portanto, se a previsão estava equivocada, as ações chegam perto de convencer quem duvidava da profecia.
Um dos motivos para se afirmar, sem medo de errar, que tudo acontecerá conforme as previsões dos especialistas no assunto é a capacidade da iniciativa privada sobreviver, crescer e chegar ao topo em qualquer atividade empresarial. Os defensores ferrenhos da livre iniciativa, como Adam Smith, Friedrich Fayek, Albert Camus e outros mais, elencam vários motivos que justificam o sucesso do neoliberalismo. Mas, ao invés de citarem os casos de fracassos, ressaltam que é o único sistema que se recupera depois de um deslize normal em épocas de crise geral.
Defender um modelo que distribua a riqueza de forma menos desigual só poderia ser tarefa de alguém com pensamento de esquerda, claro. O outro lado só vê inconvenientes e atraso nisso, priorizando o lucro e a dominação de mercado, sem se importar na injustiça social que isso causa. Basta ver que as grandes crises mundiais, a crash da Bolsa, em 1930, e a recente quebradeira de 2008, foram provocadas pelas ações das competentíssimas empresas privadas. Qual a lição que o mundo tirou disso? Para muitos, que o capitalismo voraz ainda é a única saída!
Toda fusão que há entre grandes empresas gera muita polêmica, exatamente por causa da preocupação no surgimento de um monopólio. No Brasil, alguns episódios desta natureza ainda são lembrados pelos que já estão na faixa dos 50 anos. A criação da Autolatina, uma empresa formada pelas automobilísticas Ford e Volkswagen, não vingou e acabou da mesma forma que começou. Mas a união entre as cervejeiras Antarctica e Brahma, rivais até nos camarotes carnavalescos do Rio de Janeiro, gerando a Ambev, hoje domina o mercado da cerveja no mundo.
Só em 2017, empresas aéreas, com origem em vários países, faliram. São elas: Air Berlin (Alemanha), Air Labrador (Canadá), Air Norway (Noruega), Azaljet (Azerbaijão), Bural (Rússia), Citywing (Reino Unido), Fly County Aviation (Quênia), Fly Kiss (França), Fly Marche (Itália), Go! Aviation (Finlândia), Höga Kusten Flyg (Suécia), Hummingbird Air (Ilhas Virgens Americanas), Innu Mikun Airlines (Canadá), Monarch Airlines (Reino Unido), NewLeaf (Canadá), Niki Air (Áustria), Pioneer Regional Airlines (Rússia), Sea Air (Croácia), Shuttle America (Estados Unidos), Tigerair Singapore (Cingapura), Wings Of Alaska (Estados Unidos) e Yute Air (Estados Unidos). Então...
Quem atua na iniciativa privada sabe que o sucesso e o fracasso são partes indissociáveis em qualquer atividade empresarial. Na lista a falência das companheiras aéreas não ficou claro quantas seriam públicas ou privadas. Mas isso prova que a natureza delas não é o fator primordial para a sobrevivência, o crescimento ou a extinção. Portanto, o mito de que tudo que é privatizado significa um salto de qualidade e eficiência precisa ser revisto e analisado. Má gestão existe em qualquer empresa, assim como a eficiência também, seja ela pública ou privada. O Céu é o limite!


J R Ichihara
22/12/2017

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