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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Perdeu, vagabundo!
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O país dos desqualificados


A criminalidade chegou a tal ponto no Brasil que os assaltantes não escolhem mais dia nem hora para atuar contra o cidadão indefeso. Segundo alguns que já foram vítimas dessa turma cada dia mais ousada, o que mais ofende, além da perda dos pertences, é a forma como são avisados do que se trata a abordagem: “perdeu, vagabundo”! A pessoa tem de entregar tudo que possui no momento e ainda é chamada de vagabundo. Pior são os casos onde, apesar de entregar tudo que carrega, a vítima ainda perde a vida. Não basta apenas humilhar? Precisa ser assim?
Mas o brasileiro não é maltratado apenas pelos marginais. No governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, o FHC, os aposentados e pensionistas que protestaram contra as medidas prejudiciais tomadas pelo então presidente da República, também foram chamados de vagabundos. E olhem que ele possui graduação superior, ao contrário dos assaltantes, com livros publicados e passagem pela famosa Universidade Sorbonne, da França. Curioso é que ele se aposentou aos 37 anos de idade, como professor, o tempo de contribuição obrigatório aos demais.
Se existe um tratamento igual para todos é o dispensado pelos assaltantes com relação as vítimas. Para eles todos são iguais no momento da abordagem. Não importa a cor, a classe social, a opção sexual, a preferência partidária, o grau de instrução... não há discriminação de qualquer espécie. Quem sabe esta forma democrática com relação às pessoas, pelo menos nos momentos de demonstrar desprezo, foi adotada pelos assaltantes depois da atitude do chefe maior do país? Se a autoridade a nossa autoridade máxima pensa assim... Por que não adotar isso?
Com a condenação de Lula, pelo TRF4, na última quarta-feira, choveram mensagens, vídeos e comentários nas redes sociais sobre a libertação do país da quadrilha chefiada por ele. Exaltam a decisão da Justiça como uma prevenção contra o comunismo, citando o exemplo da Venezuela, onde o povo está passando fome e a miséria se instalou naquele país. Mas será que as políticas públicas do PT excluíram os pobres, como querem fazer parecer? Os resultados foram motivo de elogios por órgãos internacionais, portanto a conclusão desta análise é estranha.
Decisão judicial, principalmente por unanimidade, como no caso do Lula, não pode ser questionada? O processo foi baseado no Tríplex do Guarujá, onde o nó da questão é que o mesmo virou propriedade do ex-presidente como pagamento de propina. O fato é que entre as provas e a falta delas, os juízes do TRF4 votaram a favor da condenação sentenciada pelo juiz Sergio Moro, além de aumentarem a pena de 9 anos e meio para 12 anos. Muitos festejaram, soltaram fogos, comemoraram nas redes sociais, o resultado do julgamento. Será o fim da Operação Lava Jato?
O povo foi convocado pela Rede Globo para gravar vídeos mostrando o Brasil que as pessoas gostariam de viver. Se a estratégia era para mostrar que tudo melhorou após a saída do PT, onde esta emissora foi fundamental para isso, o tiro saiu pela culatra. A maioria, independentemente de odiar ou gostar do PT, gravou as condições das escolas, dos hospitais públicos e da insegurança nas ruas – é isso que ninguém quer. Até dos Estados Unidos, país onde muitos foram buscar oportunidades, chegaram vídeos. Como melhorar com tanta desigualdade?
Assentada a poeira por causa do julgamento e condenação de Lula, o foco do governo federal e da população é na Reforma da Previdência. O assunto voltará com mais intensidade aos noticiários. Talvez as manifestações não sejam tão acaloradas quanto ao movimento contra a decisão do TRF4, mas é a única grande decisão do Congresso que estará no foco do holofote da mídia. Se o trabalho do governo para a aprovação da proposta é intenso, a confiança na vitória é indisfarçável. Será que a população ouvirá dos parlamentares o odiado “perdeu, vagabundo”!?


J R Ichihara
27/01/2018

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