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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Auxílio-moradia: amoral ou imoral?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Talvez o fim do respeito por uma classe


O povo brasileiro não sabe viver sem opinar sobre qualquer assunto polêmico. Seja um julgamento de autoridade, de uma celebridade, em qualquer ramo de atividade que desperta o interesse e a curiosidade das pessoas. Isso vai da cantora em evidência, mesmo que muitos a considerem de extrema apelação o que ela faz, ao astro de futebol nos palcos internacionais. O que não pode faltar é um bom tema para discussões acaloradas, o tempero para o papo molhado nas mesas de bar. Portanto, após a condenação de Lula, não faltaram escolhas na pauta.
Quem desconhece que o brasileiro é especialista em qualquer assunto? Sem essa de que a população possui baixa escolaridade. Provavelmente somos o país com o maior número de autodidatas do planeta. Sobre futebol, então, não tem para ninguém. À parte os exageros, mas o mundo não pode ser uma exclusividade dos doutores, os que alcançaram o saber frequentando os bancos das universidades – a vida também é uma excelente escola. Mas esse entusiasmo se restringe às rodadas com amigos quando os holofotes se voltam para os membros do Judiciário.
Alguém que critica abertamente os programas sociais (Bolsas de modo geral) o faz com a mesma intensidade quando se trata das mordomias dos magistrados, juízes, desembargadores ou parlamentares? O que se ouve de forma genérica? Que é imoral, mas estão dentro dos direitos deles? Não raro citam o apoio constitucional como embasamento. Mas a Constituição não prevê também uma série de direitos ao cidadão comum? Por que ele, que não tem onde morar, não pode receber ajuda do governo? Ah, mas o auxílio-moradia é um direito dos privilegiados. Ponto.
Segundo a literatura, amoral é a pessoa que não tem senso do que seja moral, ética. Já o imoral é aquele que tem conhecimento das regras da moral, mas mesmo assim pratica atos que são repudiados pela maioria. Onde se situariam os que possuem moradia própria no local onde trabalham, mas recebem o auxílio-moradia? Talvez muitos deles, alguns reclamaram seus direitos na Justiça, são totalmente contra os auxílios públicos aos que não tem onde morar, estão desempregados e são vítimas de todas as injustiças sociais que o país os obrigam a sofrer.
Do ponto de vista dos críticos ferrenhos do comportamento do contribuinte brasileiro, a situação humilhante que vivemos, diante de tanto abuso e impotência, é por causa da passividade popular. Mas o que oferecem como solução? Buscar seus direitos na Justiça! Como se ninguém soubesse como isso funciona por aqui. A outra opção, esta de eficácia a toda prova: não reeleger nenhum dos atuais parlamentares do Congresso Nacional! Isso seria o melhor dos mundos não fosse a realidade de que a casta do Judiciário não depende de uma escolha popular. Portanto...
Estudiosos da manipulação do poder ao redor do mundo dizem que os verdadeiros mandões em tudo no planeta são anônimos. O restante dos subordinados só sente os efeitos de suas ações. Presidentes, ministros, parlamentares, juízes – os que respeitamos como autoridades constituídas – são apenas soldados que defendem os seus interesses, portanto descartáveis depois de cumprirem as suas missões. Se isso é só ideia de algum lunático ninguém provou a falsidade dela. Não fosse assim por que 1% de pessoas detêm a metade da riqueza na Terra?
Mas o que os desfavorecidos percebem é que os responsáveis por dar bons exemplos estão se lixando para isso. Se alguém não tem onde morar, muito menos o que comer... é uma condição que independe dos outros abrirem mão de seus direitos. Amoral ou imoral, pouco importa, sempre haverá morador de rua ou abandonado nos corredores dos hospitais públicos, assim como a oferta de escolas onde nada se aprende, para os fracassados no Brasil. Tudo que se consegue através da meritocracia não deve pesar na consciência. Como questionar isso?


J R Ichihara
02/02/2018

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