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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Intervenção no Rio e a repercussão
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Existiria vendedor se não houvesse comprador?


O anúncio de uma intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro, logo após o carnaval, repercutiu até na mídia internacional. Para os críticos desta medida, o grande manipulador disso foi a TV Globo que jogou os holofotes sobre os arrastões e as mortes de policiais durante os dias de folia. Muitos questionam os números levando em consideração a enorme concentração de pessoas nos locais públicos. Além disso, acrescentam os contrários a decisão do governo federal, fazer uma limpa nas favelas não elimina a raiz do problema nacional.
Claro que houve muita manifestação de apoio, principalmente nas redes sociais. Os que pedem uma intervenção militar, há tempos, veem isso como um bom sinal. Mas será que as Forças Armadas sabem combater o narcotráfico? A história mostra que o crime organizado tem levado vantagem até agora, a nível mundial. E a desigualdade se resolverá na base da bala? Isso empurra muitos jovens para a criminalidade! Os que controlam o negócio vivem nas favelas? Possuem helicópteros que transportam meia tonelada de cocaína? Tomara que não seja mais uma furada!
A mídia internacional vê com desconfiança essa intervenção. O prestigiado New York Times, na sua edição do dia 17/02/18, publicou que para muitos a decisão pessoal do presidente Temer é uma iniciativa “para melhorar os seus índices de aprovação, e não como uma medida para combater o crime”. Várias manifestações nacionais questionam o porquê no Rio se muitos estados apresentam índices de criminalidade (homicídios por 100 mil habitantes) maiores que o da Cidade Maravilhosa. Para esses, o motivo é eminentemente político e não de segurança.
Outros jornais como o francês Le Monde e o The Guardian, do Reino Unido, comentaram o assunto. Ambos reconhecem a violência no Rio, mas acrescentam opiniões de quem viverá a situação. A publicação francesa não deixou de registrar que muitos veem a decisão de intervir no Rio como “uma manobra visando apagar a incapacidade do governo de votar a reforma da Previdência, um elemento crucial” para a gestão Temer. O The Guardian relatou o receio de moradores que “temem o policiamento a cargo de soldados sem treinamento para isso”.
Não poderia faltar o humor negro sobre o assunto. Os piadistas de plantão disseram que isso foi o troco que Temer deu aos cariocas por causa dos sambas-enredo de protesto da Beija-flor e da Tuiuti, que sacudiu a plateia e mostrou que uma festa popular pode ser um meio de manifestar a insatisfação do povo. Por uma inexplicável coincidência elas foram a campeã e vice-campeã do carnaval carioca, grupo especial, de 2018. Quem apoia a gestão do governo federal atual não gostou de ver o povo aplaudindo as escolas, mas teve de engolir calado. Portanto...
Quem viveu a época que os militares governaram o país tem boas e más recordações. Há os que elogiam a sensação de segurança que sentiam nos locais públicos, assim como os que criticam as torturas aplicadas aos que se manifestavam contra o regime implantado. Como sempre, toda e qualquer forma de gestão agrada alguns e desagradam outros. Mas uma pergunta difícil de responder, que sempre gera polêmica, é por que a ação repressora só tem eficácia contra os mais pobres. Será que a criminalidade, onde a violência é invisível, não precisa ser combatida?
Indiscutível que as cidades brasileiras viraram praças de guerra à luz do dia. O mundo viu transformações que ocorreram em cidades consideradas violentas e inseguras, com todos os problemas gerados pelo narcotráfico. Nova York é um exemplo. Será que os nossos responsáveis pela segurança pública não poderiam aprender alguma coisa com a experiência alheia? Ou os motivos da nossa convivência desarmoniosa são exclusividade brasileira? Enquanto a maioria vive com medo de assalto, estupro, agressão física e bala perdida... alguns privilegiados riem à toa.


J R Ichihara
17/02/2018

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