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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Torturas e desaparecimentos? Melhor perguntar para a CIA!
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O estranho método de tratar as divergências

Causou um certo alívio, mas não surpresa, a vinda ao conhecimento público brasileiro do memorando da CIA, a agência de inteligência norte-americana para assuntos externos, citando que as execuções de pessoas indesejadas pelo Regime Militar foram ordenadas pelos ex-presidente Emílio Médici e mantidas por seus sucessores Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo. O que decepciona os que buscavam explicações sobre os desaparecidos é que o Exército Brasileiro, a Força Armada onde ex-presidentes serviram, nunca esclareceram nada.
Apesar da incerteza nas informações obtidas nos registros oficiais, fala-se que mais de 100 pessoas foram sumariamente executadas pelo Regime. Os subversivos, como eram chamados, foram presos, torturados, mortos e os seus corpos sumiram. Motivos? Fazer oposição ao governo que proibia a liberdade de expressão e não admitia questionamentos sobre a forma de gestão implantada no país. Outras fontes que estudaram o assunto falam que o total de desaparecidos ultrapassa 200 pessoas. Por que alguns ainda torcem pela volta desta época?
Será que os incrédulos sobre as torturas e execuções acreditam nas informações da CIA? O insucesso da Comissão da Verdade, uma iniciativa que frustrou mais do que agradou, sepultou de vez o assunto? O Brasil teve dois presidentes vítimas da Ditadura Militar, Lula e Dilma, mas nem assim os esclarecimentos, muito menos um pedido de desculpas formais do Exército chegou ao conhecimento público. Por outro lado, o deputado Bolsonaro, um ex-militar, homenageou o falecido coronel Ulstra, o terror da Dilma, quando votou sim para cassá-la. Quanto heroísmo!
Toda vez que se fala na participação dos Estados Unidos na implantação da Ditadura Militar no Brasil, assim como em todo o Cone Sul das Américas, os direitistas incuráveis dizem que isso é coisa de comunista antiamericano. Haveria uma razão para isso? Quem conhece um pouco da história mundial na época da Guerra Fria sabe que o mundo era bipolar, em termos de sistema político-econômico. Se de um lado os Estados Unidos representavam o capitalismo, de outro, a União Soviética, conhecida como URSS, simbolizava o socialismo. Precisa desenhar?
Quem segrega as paixões político-partidárias, assim como o sistema político-econômico, mas apenas quer uma qualidade de vida decente para o cidadão, sabe que nenhuma ditadura é boa para que a Justiça funcione. É ingenuidade alegar que o Brasil piorou, com o fim da Ditadura Militar, quando foi entregue aos civis. Se considerarmos que entramos em outro tipo de ditadura, a conclusão está equivocada. O povo continua refém de um poder que impõe regras autoprotetoras aos mandantes. Qualquer governo que exclui o povo do poder é uma ditadura.
Enquanto uma discussão interminável sobre esquerda e direita, impunidade e corrupção, for o foco do sonho de consumo nacional, sem uma clara ideia do que realmente queremos, a ditadura, sob qualquer forma que assuma, continuará sendo o grande mal do país. Uma sociedade onde as regras punitivas não valem para alguns privilegiados, amparados por leis aprovadas, não pode se orgulhar de viver num regime democrático. Por isso, continuamos – tornou-se até cansativo e repetitivo – o “fora PT”, “fora Temer”, “fora corruptos”. Que tal o “fora ditadura”?
Infelizmente a vontade de ser um país justo, desenvolvido e democrático, o grande sonho tupiniquim, através de um comando militar não tem paralelo na História da Humanidade Moderna. Qual grande potência, nos termos que queremos, é governada por militares? Os próprios exemplos criticados por direitistas fanáticos, Cuba e Venezuela, foram governados muito tempo sob regime militar. Por que acreditar que somente os nossos militares são justos e incorruptíveis? Os documentos da CIA mostraram uma parte dessa face oculta... não valeria a pena ver a outra?


J R Ichihara
12/05/2018

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