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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Nas estradas longas da vida
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Se todos caminhos levam à Roma...


O brasileiro se acostumou a ouvir as reclamações sobre as condições das nossas rodovias, o custo do pedágio, a insegurança, enfim, toda sorte de adversidades que os usuários habituais enfrentam nos deslocamentos obrigatórios. De seis dias para cá o assunto também é sobre estradas nos mais diversos pontos do país. Só que agora o motivo é totalmente diferente, assim como as filas quilométricas são propositais por parte dos caminhoneiros. A queda de braço contra o governo não tem data para terminar, mas os efeitos são visíveis e preocupantes.
Mas quem achava que o governo assumiria uma postura de acuado pode se enganar facilmente. Com o apoio da mídia golpista, a mesma que foi decisiva na derrubada da ex-presidente Dilma, a tentativa é de jogar a opinião pública contra esta manifestação. Imagens e escassos depoimentos de quem se sente prejudicado pelos bloqueios nas rodovias ainda conseguem ganhar a simpatia de quem é fraco emocionalmente. Hospitais, escolas e viaturas que atendem a segurança pública sempre foram deficientes. Por que só agora a situação está ruim?
Talvez a sociedade tenha nas mãos uma oportunidade única de encostar os Três Poderes na parede e fazê-los sentir o que uma insatisfação generalizada pode gerar num país onde não há compromisso das autoridades com a população. Nada que sempre esteve ruim vai se agravar ainda mais. Quem desconhece que a montanha de recursos gerada pelos tributos nunca tem como destino a contrapartida com serviços públicos de qualidade, o que só aumenta o fosso da desigualdade entre os ricos e os pobres? Chega! Basta! Está na hora de acabar de vez com isso!
No decorrer desta batalha encabeçada pelos simples caminhoneiros, normalmente desprezados pela classe média, assim como pela elite, conseguiu acertar em cheio o núcleo insensível da alta cúpula. Logicamente que surgirão opiniões diametralmente contra esta manifestação, mas a população sofrida está disposta a aceitar o sacrifício decorrente do desabastecimento, em troca da mudança de postura do governo com os problemas que atingem os que não têm outros meios de se protegerem da alta carga tributária imposta a todos. Então...
Ironicamente a atitude que conseguiu desestruturar a arrogância governamental não veio dos esclarecidos da classe média, os que se orgulharam de tirar uma presidente escolhida através do voto livre nas eleições. A manifestação que gerou o impeachment e colaborou para o caos que se vive desde então, agora se sabe, foi gestada nos sindicatos patronais, apoiada pela mídia e financiada por grupos multinacionais que tinham interesses na desestabilização política e econômica do Brasil. Os demais participantes (MBL, Vem pra Rua e outros) foram apenas usados.
Outro ponto muito interessante neste movimento é a ausência de legenda partidária. Aliás, a classe política, com raríssimas exceções, compromete a seriedade de qualquer manifestação contra os abusos e desvios praticados pelos representantes eleitos pelo povo. Como protestar contra o que sempre apoiaram? Independentemente de partido político, como confiar em pessoas que vivem décadas prometendo uma coisa e fazendo outra? Fora tudo isso! A hora é de mostrar que nenhum deles é bem-vindo nesta luta. Da mesma forma, há muita rejeição pelo Judiciário.
A alternativa de usar as Forças Armadas para restabelecer a desordem pouco repercutiu nas redes sociais – a mídia tradicional não é confiável. Muitos até questionaram a competência dela para resolver questões sérias e citam a sua inutilidade na Intervenção Federal na segurança do Rio de Janeiro. Qual o resultado mensurável depois de mais de dois meses de atuação nesta cidade? A grande lição para a nação brasileira é que os esclarecidos e superiores intelectualmente não conseguiram tirar os intocáveis do pedestal, mas a manifestação dos ignorantes surtiu efeito.


J R Ichihara
28/05/2018

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