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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Copa do Mundo: quantos motivos para detestar?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Amor e ódio em jogo...


Foi difícil segurar o grito após o segundo gol do Brasil na Sérvia, no último jogo da primeira fase na Copa da Rússia. Curtir as piadas que lotaram as redes sociais depois que a Coreia do Sul eliminou a tetracampeã Alemanha. Esta que já humilhou a Seleção Brasileira por 7 a 1, em pleno Mineirão. Já a sobrevida da Argentina, a nossa maior rival no continente, dividiu as opiniões entre os apaixonados por futebol. Enquanto uns torciam pela eliminação, outros vibraram com a escapada alegando que assim o nível da disputa ficará melhor. Agora vem o cruel mata-mata.
Mas abaixo da Linha do Equador as más notícias continuam a desanimar os que detestam qualquer atividade esportiva ou cultural que desvia a atenção dos problemas sérios que dificultam o dia a dia da população. Fala-se que nada mudou significativamente, com relação à violência, depois de 4 meses de atuação da Intervenção Federal, no Rio de Janeiro. O desemprego continua alto, assim como a chegada de centenas de venezuelanos, pela fronteira com Roraima, contribui para piorar a oferta de serviços públicos para os que precisam. No mais sem muitas novidades.
Considerando que o poder aquisitivo de quem foi assistir este evento na Rússia é muito superior ao dos milhões que ficaram por aqui, algumas decisões de órgãos fiscalizadores podem atingi-los dentro de 180 dias. Foi divulgado que a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) autorizou que os planos de saúde cobrem até 40% dos usuários em todos os procedimentos médicos, mesmo naqueles que eles têm direito. Se servir de consolo isso será válido para os novos planos. Mas a norma tem detalhes que o usuário precisa ler e entender. Alguma surpresa?
“Bola pra frente” é um termo muito empregado no nosso país. Ele serve para levantar o astral, depois de algum resultado negativo, em qualquer expectativa na vida. Dá a ideia de que quando se perde uma partida, seja num jogo de futebol ou numa disputa qualquer, não significa que está tudo perdido. Também resume, em três palavras, a disposição de mudar de estratégia e agir de maneira diferente numa próxima situação de enfrentamento. Mas apenas palavras não muda nada – o resultado diferente exige uma ação. Como agir diante de velhos problemas?
O cidadão ponderado sabe que o exagero é o pior meio para auxiliar na solução de um problema. O radicalismo 8 ou 80 não se aplica com eficácia em qualquer situação, principalmente como ferramenta de gestão de recursos. Portanto, quem acha que a causa de todos os males que nos sufocam há décadas é a baixa escolaridade do povo, não pode ser contra um governo que prioriza a atenção aos desassistidos. Chega de dizer que quem apoia isso quer transformar o Brasil numa Cuba ou Venezuela. Privatizar educação e saúde é fazer uma exclusão em massa!
Nada como estar na posição do outro para avaliar uma crítica, seja construtiva ou destrutiva. Alguns especialistas do comportamento humano elegem a nossa paixão por futebol e outras formas de lazer como a grande causa do nosso subdesenvolvimento. Como garantir tanta precisão nesse diagnóstico? Ou será porque a maioria dos jogadores, de origem humilde e baixa escolaridade, viram celebridades no cenário mundial? Se o país não oferece outra oportunidade de ascensão socioeconômica para todos... por que odiar o que está ao alcance de alguns?
Enquanto a solução dos eternos problemas nacionais não vem, mesmo com as derrotas em algumas Copas do Mundo anteriores, continuaremos a ouvir comentários raivosos contra quem conserva uma paixão incondicional por futebol e pela Seleção Brasileira. Se o amor de alguns por essa atividade esportiva nada construiu de positivo, o ódio destruidor de outros pouco resolveu. O fato é que culpar exclusivamente o futebol pelo fracasso nos serviços públicos essenciais, assim como na política e na Justiça, não se fundamenta em bases científicas inquestionáveis.


J R Ichihara
30/06/2018

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