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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Geriatras versus pediatras
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Crianças e idosos excluídos?


As informações que circulam nos meios de comunicação têm preocupado o mundo e os líderes de forma geral. Não é de hoje que se fala no envelhecimento da população no Brasil, assim como a brutal queda na taxa de natalidade observada nas últimas décadas. Isso pode influenciar em muitas atividades econômicas, assim como na arquitetura urbana, onde as famílias cada vez menores obrigam as empresas do ramo imobiliário e da construção civil a se adequarem à nova realidade. Os dados falam que dentro de 30 anos 25% dos adultos terão 65 anos ou mais.
Mas qual seria o grande impacto na gestão de recursos públicos diante do cenário que se desenha atualmente? Na área da saúde, as campanhas preventivas se voltarão para adultos e não mais para as crianças. Haverá mais necessidade de abrigo para idosos do que creches. Escolas e hospitais necessitarão direcionar o atendimento para outro púbico alvo. A acessibilidade nos locais públicos exigirá projetos diferentes dos atuais. Será que as autoridades e os responsáveis pela prestação desses serviços estão tratando o assunto com a devida seriedade?
Fala-se da catástrofe que virá se a Reforma de Previdência brasileira não for aprovada como querem os atuais dirigentes do país. O argumento muito forte é que o aumento da longevidade causará um impacto temeroso nas contas públicas. Daí a necessidade de estender o tempo de contribuição, via limite mínimo para a aposentadoria. Entre justificativas dos que são contra e a favor, o foco é direcionado apenas sobre a contribuição da folha salarial das empresas, principalmente das privadas. Mas como se manter no mercado de trabalho depois de 60 anos?
Soube-se pela mídia que há carência de pediatras, bem como de geriatras, na rede de serviços públicos no Brasil. Como atualmente temos mais crianças que idosos, o problema afeta mais aquelas do que estes. Não precisaram ainda, mas haverá um momento em que ocorrerá um empate entre as faixas etárias, ou seja, para cada criança teremos um idoso. Se o problema não é prioridade porque não atinge a classe economicamente produtiva, o futuro das crianças e dos idosos podem estar comprometidos. Mas para quem acha que saúde é apenas um negócio...
Considerando que educação e saúde são as nossas prioridades inquestionáveis, não valeria a pena saber dos futuros eleitos aos cargos do Executivo e do Legislativo quais os programas elaborados para atender essa demanda? Se os números não mentem e alguém já se deu ao trabalho de levantar esses dados... É prudente não fazer absolutamente nada? Como adequar um mercado discriminatório com os idosos para continuar trabalhando e contribuindo para a quebrada Previdência? Será que a solução virá gratuitamente através do Deus Mercado?
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a nossa população de idosos aumentou 50%, no período de 2007 a 2017. Passou de 17,4 milhões para 26 milhões. A previsão é que chegará aos 37,9 milhões em 2027, ou seja, dobrará num período de 20 anos. Uma das preocupações reveladas no estudo é que nos tornaremos um país de idosos, com uma população extremamente pobre. Os países desenvolvidos, ao contrário, não sofreram tanto impacto econômico com o envelhecimento – até importaram mão de obra, mas não quebraram.
Que medidas preventivas os dirigentes, as empresas e a sociedade estão adotando para evitar um problema social inevitável? Os da classe média que podem já estão de malas prontas para os Estados Unidos e Portugal. Mas quem não pode ir para esses lugares farão o quê? Urge uma atitude cirúrgica – de pediatra ou geriatra – com foco no grosso da população desamparada. Se tudo acontecer como previsto ocorrerá uma inversão de oferta no mercado de trabalho, onde os novos serão minoria e os idosos a maioria. Mas como empresa só visa o lucro... melhor esperar.


J R Ichihara
28/07/2018

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