A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
Inutilidade dos recursos
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Como ser gestor de um país rico com povo miserável?


Quem observa com imparcialidade o que falam os candidatos aos cargos de governador de Estado e presidente da República chega à conclusão que a maioria fala aos quatro ventos. Dizer que vai fazer isso ou aquilo, sem fundamentar de onde virão os recursos, é a velha enganação de chover no molhado. Além disso, não fica claro o argumento que usarão para conseguir a aprovação dos parlamentares para direcionar os recursos que sempre faltam de um lado e sobram do outro. Este momento de solidariedade só perde em boa vontade para o Natal.
O brasileiro comum vive sob um regime tributário cruel, todos sabemos, mas a contrapartida do que paga abusivamente nunca chega à sua porta. Parte disso é por causa das prioridades nacionais (mordomias dos Três Poderes, partidos políticos, grandes empresas etc.) que recebem um tratamento diferenciado do Planalto. De que adianta dizer que nos países do Primeiro Mundo os impostos são altos também, se não mostrar que os benefícios são negados aos cidadãos? A desigualdade é exatamente neste ponto! O diferenciado que pague por isso.
Como se sente o contribuinte que vê o volume de recursos arrecadados e assiste ao abandono dos serviços públicos essenciais? Tem outra maneira de concluir que não seja o direcionamento para quem menos precisa? Há poucos dias a mídia exibiu um exemplo de administração municipal séria. O prefeito de Colatina, uma cidade do Espírito Santo, aplica os recursos naquilo que aumenta o bem-estar da população. Na breve narrativa, ele não falou em nenhum plano mirabolante ou extraterrestre. Por que isso não se replica no resto do país?
Não adianta pensar que apenas a boa vontade do chefe do Executivo (governador ou presidente) mudará o ambiente de exclusão que se instalou no país. O próprio cidadão tem de fazer a sua parte no processo, acabar com a mania de tirar vantagem em coisas que reprova nos outros, com o tal jeitinho brasileiro. Isso nunca nos impulsionou para o desenvolvimento econômico, social e intelectual. Vivemos patinando há séculos por causa da mentalidade estreita com relação à política, Justiça e economia - deixar de rotular tudo com base na convicção pessoal.
Sabe-se que nem todos têm o dom da oratória, a facilidade de dominar uma plateia, de usar o poder da mídia para expor suas ideias. Precisamos entender que nem sempre o bom orador é um gestor competente, muito menos um poço de honestidade e seriedade com os bens alheios. Talvez um dos problemas das nossas escolhas é a ausência de um programa de governo escrito para todos tomarem conhecimento. Não precisa ser um calhamaço de mil páginas – ninguém vai ter paciência de ler -, mas uma relação de providências amparadas pela origem dos recursos.
Qual a utilidade de um candidato ser visto pela população, durante 10 segundos, tentando mostrar como vai enfrentar os obstáculos para resolver os problemas que travam o país? Se num mandato de 4 anos não houve tempo suficiente... Como mostrar as soluções em questão de segundos? Portanto, o candidato que encanta e tem solução para tudo, principalmente quem atua na política há décadas, pode ser o velho vendedor de terrenos no Céu, revitalizado. O mundo real não é cor-de-rosa como muitos querem pintar. Corrigir os nossos erros não é uma tarefa individual.
Provavelmente os obcecados anticorruptos se decepcionam pela falta de abordagem dos candidatos neste quesito tão valorizado na atualidade. Afinal, o ex-presidente Lula, que lidera as pesquisas de opinião, considerado o político mais popular dos últimos anos, está preso acusado de liderar um esquema de corrupção. Por que isso não é esmiuçado pelos candidatos que concorrem aos cargos? Será que as prioridades mudaram? Ou se chegou à conclusão que essa prática é o nosso pecado original na política? Para quem acredita na imparcialidade da Justiça...


J R Ichihara
17/08/2018

 Comente este texto
 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: GCRB (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP sera enviado junto com a mensagem.