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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Incitação à violência? Liberdade de expressão? Vias de fato como solução?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Fazer política deixou de ser confronto de ideias


O esfaqueamento do presidenciável Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora, Minas Gerais, na última quinta-feira serviu para uma reflexão ou colocou mais lenha na fogueira da campanha eleitoral? A reação dos adversários nesta disputa foi de repúdio imediato, como era de se esperar. Afinal, sob o clima de ódio que se instalou no país desde o resultado da eleição anterior, quando Aécio Neves (PSDB) perdeu para Dilma Rousseff (PT), direita e esquerda convivem num ambiente explosivo de guerra partidária e ideológica – e quem mais perde é o povo dividido pela segregação.
Longe vai o tempo em que a obrigação de votar se resumia a apenas isso. Com as sucessivas vitórias do PT, não basta ganhar as eleições. Alguns políticos externam outras vontades além disso. Por isso, ouviu-se desejos maldosos e desumanos contra a Dilma, o Lula e a falecida esposa dele quando agonizava numa UTI. Precisava ser assim? Mas o próprio PT quando era oposição mostrava um comportamento semelhante com os adversários. Será que a política que tanto querem a participação do povo tem de ser assim? A eleição vai além do voto?
Parece que a insanidade também contaminou os esclarecidos. Basta ler as opiniões publicadas nos jornais, revistas e redes sociais. Pouquíssimas separam o ódio e o preconceito do simples processo eleitoral. O desapego ao que é certo, errado, admissível e imprevisível ganha proporções que afasta a Democracia do direito individual de escolha. Discordar passou a ser a tênue linha divisória entre honestos e corruptos, inteligentes e alienados, vagabundos e trabalhadores, nacionalistas e entreguistas... coxinhas e mortadelas. Fora disso não há realidade!
A repercussão do atentado, como sempre, revelou o que há de mais perigoso no comportamento humano. Não faltaram as declarações “colheu o que plantou” e “provando do próprio veneno”, numa alusão às declarações de Bolsonaro, que muitos entendem como incitação à violência, além da liberação de armas para a defesa pessoal de todos os cidadãos de bem. Se todos levarem ao pé da letra os exageros ditos em campanha eleitoral, o desentendimento poderia chegar a absurdos inimagináveis. Seria racional não votar nele se discordar das suas propostas?
Como não poderia faltar, muitos culparam a mídia pelo acontecimento, alegando que há um claro propósito de desconstruir a imagem positiva que a vítima do atentado conquistou junto à opinião pública. Os separatistas logo imputaram a ação aos esquerdopatas que não aceitam uma mudança radical na forma de conduzir os destinos do país. Quem desferiu as facadas está preso, a vitima hospitalizada e a campanha segue conforme as programações dos partidos. Talvez o tom e a intensidade das agressões entre os candidatos sofram uma sensível redução. Portanto...
Impressionante como as opiniões mudam quando se invertem os papéis do agressor e da vítima. No caso dos ataques à caravana de Lula, na Região Sul, muitos acharam que o tratamento dado ao ex-presidente era mais do que merecido. Até uma senadora disse que a turma da comitiva devia ser tratada no relho. E se alguém morresse por causa dos tiros que foram disparados naquela ocasião? Aquele episódio sinalizava que o ódio plantado germinou no caso do Bolsonaro? Ou o clima que se criou no país, por simples divergências políticas, não incentivou tais atitudes?
Baseados em precedentes de campanhas, muitos acham que tudo não passou de uma farsa montada para conquistar o voto duvidoso. O episódio da “bolinha de papel”, na disputa entre Dilma e Serra, não saiu do imaginário popular. A pirotecnia empregada naquele caso revelou-se uma artimanha midiática para iludir os eleitores indecisos. Perto daquilo as simulações do Neymar, durante a Copa da Rússia, são atuações de quinta categoria. Mas até as eleições muita água vai rolar, de preferência sem agressões físicas com armas. Votar não é um bicho de sete cabeças!


J R Ichihara
09/09/2018

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