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ALESSANDRA LELES ROCHA
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As tramas da Rede
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA





Escorada nas tecnologias da informação a humanidade perdeu o bom senso na hora de delimitar os espaços entre o público e o pessoal. Reflexos da pós-modernidade? Sim. Mas, nada que uma boa dose de reflexão particular não traga de volta aos caminhos da Razão.
A desculpa que as ferramentas tecnológicas vieram trazer mais comodidade e velocidade as relações não me parece nada consistente. Se fosse assim, milhões de pessoas não reclamariam em coro a carência de tempo no seu cotidiano. Basta ver o trânsito congestionado nos grandes centros urbanos, por exemplo. Carros cada vez mais velozes que não conseguem imprimir mais do que faria uma carroça.
A própria internet. São tantas as informações por segundo que o ser humano é “soterrado” sem ler ao menos um quarto delas na velocidade vigente. Sem contar o tempo desperdiçado por milhões de seres humanos no acesso a Rede. Pessoas estão ficando doentes, inclusive mentalmente, por horas dispensadas diante de celulares, tablets, notebooks e computadores. Deixam de dormir, de se alimentar, de cuidar das prioridades cotidianas em nome da compulsão tecnológica motivada especialmente pelas redes sociais.
Por isso essa análise sobre o uso público e pessoal da tecnologia é tão importante. Não é porque existem que os tais “modernismos tecnológicos” podem ser utilizados sem critérios e objetivos. O descontrole na utilização parece ser bem mais um fruto da necessidade de pertencimento e ostentação social do que realmente uma necessidade ou comodidade do momento.
As redes sociais são um bom exemplo dessa “euforia desmedida”. As pessoas extrapolam a tal ponto que colocam em risco a sua privacidade e sua segurança. Fazem dessas plataformas um diário de vida público, no qual estranhos dispõem de informações que deveriam ser particulares. Algumas excedem no exibicionismo e são capazes de fazer montagens para dizer que esteve nesse ou naquele lugar, frequentou essa ou aquela festa, enfim... Sem contar no sentimento de “território livre” que muitas pessoas ainda acreditam quando o assunto é internet e, por isso, pensam que podem transgredir quaisquer limites em nome da impunidade; embora, a verdade seja outra e as leis de crimes cibernéticos estão aí para provar.
Na ótica do uso público da tecnologia, ou seja, quando essa visa atender as demandas profissionais ou interesses de empresas e corporações é preciso ainda mais atenção. O cuidado com as ferramentas e seus propósitos de utilização precisa ser definido, de modo que não transgridam o respeito, a intimidade, os valores éticos e morais vigentes na sociedade.
Por isso, nem todas as ferramentas tecnológicas são escolhidas para esse fim. Geralmente, a opção é por aquelas que construam um registro formal e confiável da comunicação estabelecida, tais como o e-mail, o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) (ou os tradicionais Call Centers), formulários online.
Embora a tecnologia já seja parte integrante da sociedade do século XXI, a adesão a ela não é um fator de obrigatoriedade intransigente. Principalmente, se pensarmos que a população mundial está em franco envelhecimento e muitos desses indivíduos ainda não têm acesso nem mesmo ao celular.
Além disso, a questão da desigualdade social é um desafio concreto no processo da inclusão digital para milhões de brasileiros, por exemplo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2017, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, sigla em inglês), o acesso digital no Brasil precisa ser sustentável e equitativo. Cerca de 3,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros nunca acessaram a internet.
Sob outro viés não menos importante, questões sobre intolerância e discursos de ódio na rede, também, são fomentadores contrários ao uso da tecnologia, por pessoas de diferentes faixas etárias. Em nome da sanidade mental e do equilíbrio físico-emocional que tem se mostrado frágil diante dos números da Depressão e do Suicídio em todo o mundo, a opção de muitas pessoas em limitar ou abolir as tecnologias também não pode ser questionado e/ou desrespeitado.
A ideia de se preservar, de estabelecer prioridades, limites e ritmos de organização menos estressantes é um direito do cidadão no amplo contexto da sua qualidade de vida. Como diz o dito popular, “cada um sabe aonde lhe apertam os calos” e não há verdade maior do que essa. A imposição em relação ao uso das tecnologias e suas repercussões são muito prejudiciais à sociedade, na medida em que cerceiam a liberdade e a autonomia das pessoas e apontam para o desequilíbrio dos cerceadores.
Sim. Essa preocupação em ser aceito, em pertencer socialmente, é tão confusa que faz com que as pessoas se satisfaçam com a aprovação ou a desaprovação de gente que elas nem conhecem. Elas estão se satisfazendo em relações sociais altamente frágeis e insustentáveis, como quem se apega a uma boia para não se afogar. E tudo isso não deixa de ser um indicativo de solidão, de carência por relações melhor fundamentadas, por algo mais real e menos virtual.
Então, cuidado! Parafraseando uma frase que eu li há algum tempo, as tramas da Rede andam dando corda, o problema é que alguns fazem laços e outros se enforcam. Pense nisso!

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