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ODILON DE MATTOS FILHO
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RESISTÊNCIA PELA ESQUERDA NA DEFESA DA DEMOCRACIA
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

Sabe-se que a palavra democracia tem origem no grego demokratía que é composta por demos (que significa povo) e kratos (que significa poder). Neste sistema político, o poder é exercido pelo povo através do sufrágio universal.

Malgrado essa definição teórica, a democracia não se encerra e não se basta com o “sufrágio universal”, pois, este é apenas uma etapa deste regime de governo, conhecido como Democracia Substancial. A democracia é muito mais abrangente, é um processo. Não podemos afirmar, por exemplo, que um país "X" é democrático somente por ter eleições periódicas. Imagina se esse mesmo país possui uma grande concentração de renda e de terra, um grande déficit habitacional, desemprego em massa, falta saneamento básico para grande parte da popuação, educação e saúde de baixa qualidade, uma sociedade preconceituosa, homofóbica e intolerante, será que podemos afirmar que este país "X" é democrático pelo simples fato de ter eleições periódicas? Claro que não, falta nesse país outra parte desse processo, falta a Democracia Formal.

Com o golpe político/jurídico/midiático iniciado em 2006, retomado em 2014 e encerrado no dia 28 de Outubro de 2018, grande parte dos brasileiros saíram do armário e soltaram as amarras e os grilões que seguravam e camuflavam o comportamento animalesco que foi passado de geração a geração e que encontrou nestes tempos sombrios e de brutalidade o momento certo para se despertar, demonstrando de maneira inequívoca que vivemos numa pseudodemocracia e caminhamos, a passos largos, após o resultado da última eleição, para um regime que pode nos remeter a tempos pretéritos de tristes lembranças, ou como diz o grande Millor Fernandes "o Brasil tem um enorme passado pela frente"

Com a vitória de Bolsonaro consubstanciou-se o comportamento reacionário do povo brasileiro e essa afirmativa é corroborada quando analisamos os dois projetos que estavam em disputa e o que saiu vitorioso. De um lado o candidato Fernando Haddad e Manuela D’Ávila representavam o campo progressista e a garantia do reestabelecimento dos direitos e conquistas da classe trabalhadora, a ampliação das políticas sociais, a geração de emprego e renda, a defesa de nossa soberania e a busca pelo aprofundamento do processo democrático; de outro lado Bolsonaro e Mourão que representam o obscurantismo e os interesses dos banqueiros, do capital nacional e internacional, do fim das políticas sociais e do Estado do Bem Social, a continuidade da política de Michel Temer de entrega das nossas riquezas ao capital privado, das reformas contra os trabalhadores, a negação da nossa soberania e a implementação de ações, declaradamente, antidemocráticas, como por exemplo, a perseguição e a repressão aos movimentos sindicais e aos movimentos sociais e tudo isso somado ao discurso de ódio, violência e intolerância.

A propósito sobre esse comportamento de uma grande parcela dos brasileiros, o Filósofo e Ensaísta Húngaro, Peter Pál Pelbart com brilhantismo e coragem escreveu: “...todo esse ódio, toda essa ignorância, essa violência, isso tudo já existia ao nosso redor. Agora é como se tivessem tirado da gente a possibilidade de fingir que não viu. Caíram as máscaras. O Brasil é um país construído em bases violentas, mas que acreditou no mito do "brasileiro cordial". Um país que deu anistia a torturadores e fingiu que a ditadura nunca aconteceu. Que não fez reparação pela escravidão e fala que é miscigenado e não é racista. Nós fechamos muitas feridas históricas sem limpar e agora elas inflamaram. Estamos sendo obrigados a ver que o Brasil é violento, racista, machista e homofóbico. Somos obrigados a falar sobre a ditadura ou talvez passar por ela de novo1”.

Mas é claro que esse comportamento reacionário de grande parte dos brasileiros não foi determinante para a derrota das forças progressistas. Foram vários fatores. O primeiro ato foi tirar de cena o presidente Lula que segundo todas as pesquisas venceria as eleições no primeiro turno. E agora Bolsonaro oferece o prêmio de recompensa ao juizeco Sérgio Moro, algoz do presidente Lula. Moro pode escolher entre o cargo que quer assumir: Ministro da Justiça ou Ministro do STF. É abjeta e muito sórdida essa manobra! Além deste fator há inúmeros outros, a começar pela histórica falta de unidade das esquerdas, passando pela incapacidade do PT de analisar a força que a extrema direita ganhou, e mais dois elementos: o fator religião com uma forte participação das Igrejas Evangélicas, em especial, a de Edir Macedo e suas empresas de comunicação pró Bolsonaro e o silêncio obsequioso da Igreja Católica com raras e honrosas exceções de alguns Bispos e Padres que se manifestaram a favor do campo progressista teviram um peso considerável. E por fim, o assustador poder de lavagem cerebral dos robôs nas redes sociais frutos de comprovados recursos de caixa dois, mas, que contou com o silêncio acovardado do intimidado e apequenado TSE.

Já com relação ao presidente eleito Jair Bolsonaro é forçoso reconhecer que realmente trata-se de um homem retrógrado e antidemocrático, porém, está longe de ser um homem hipócrita. Diz o que pensa, doa a quem doer. Aliás, neste sentido o inigualável jornalista Mino Carta escreveu: “...Bolsonaro não é um hipócrita, diz o que pensa ao negar os valores democráticos baseados no respeito da diversidade, na prática do diálogo e no livre debate. A se ouvir o tonitruante capitão, a democracia passa a ser sonho impossível de um povo que raríssimas vezes se aproximou dela..2.”

Neste mesmo sentido e comentando a entrevista de Bolsonaro após as eleições, na qual ele ratifica o seu caráter reacionário, o seu discurso beligerante e seu completo despreparo o insuspeito colunista Josias de Souza disse: "...Eu diria que não foi um pronunciamento animador. Começa por contestar a mídia, em vez de fazer uma entrevista coletiva, formal, reunir jornalistas e tal, ele faz uma live pela Internet, quer dizer, parece que ainda está em campanha. Em segundo lugar, presidente de um Estado laico, fala de bíblia, de religião, no momento em que ele devia falar para toda a sociedade brasileira e expor os seus planos. Terceiro lugar, não ouvi uma vez a palavra pacificação, conciliação. Ao contrário, foi tudo contra o socialismo, essa esquerda, quer dizer, o mesmo discurso da campanha. Então, realmente parece que Jair Bolsonaro não ganhou a eleição, ele continua em campanha. É inacreditável esse discurso que a gente acabou de ouvir3”.

Assim e mesmo diante desta hecatombe eleitoral, cabe afirmar, alto e bom som, que enganam-se aqueles que pensam que destruíram a esquerda brasileira. Perdeu-se a batalha, não a guerra! Mesmo depois de todo bombardeio sofrido nestes últimos anos, à esquerda, em especial o PT saíram desta eleição muito mais fortalecidos, conseguindo trazer uma imensa, importante e aguerrida parcela da sociedade que, ainda, acredita na Democracia, na importância do Estado Social e na força do povo trabalhador.

Por essa razão, entendemos que se devem analisar os equívocos, recuar estrategicamente, recuperar as forças e ficar atentos aos sinais dos tempos, que decididamente, nos afigura tenebrosos e que vai exigir muita luta e disposição dos movimentos sindicais, dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda no enfretamento da casta reacionária que ocupará o Poder Central a partir de 2019. Assim, a palavra de ordem daqui em diante para o campo progressista, mesmo que tardia, deve ser unidade e resistência!


































































1 Fonte: http://www.contextolivre.com.br/2018/10/tem-muito-chao-pela-frente.html
2 Fonte: https://www.cartacapital.com.br/revista/1027/a-ameaca-do-apocalipse
3Fonte:https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/28/analistas-classificam-como-desanimador-primeiro-discurso-de-bolsonaro.htm



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