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ODILON DE MATTOS FILHO
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A POLÍTICA É COISA DO DIABO?
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

Meu querido e saudoso avô Tancredo, não o Neves, mas, o Romeiro, dizia que “a politica é coisa do diabo”. Evidente que ele se referia àqueles políticos que se transformam em diabo em períodos de eleições, disseminando picuinhas, fofocas, aliciando eleitores, criando inimizades, brigas e todo tipo de diabruras próprias da politicagem de cidades do interior, como Andrelândia, uma pacata e bucólica “província” incrustada no Sul das Minas Gerais onde nasci e trabalho.

Pois bem, nesta eleição de 2018, afora os embates político e ideológico entre duas forças antagônicas e a selvageria dos discursos beligerantes e carregados de ódio, preconceito e intolerância por parte do candidato da extrema-direita, vivenciamos dois fatos que nos faz pensar sobre o aforismo do meu avô.

O primeiro fato diz respeito a Ciro Gomes. Encerrado o primeiro turno e derrotado, Ciro como um menininho mimado que não aceitou a derrota ou como um coronelzinho nervoso do Ceará, fugiu para Europa para não participar da campanha de Haddad na última etapa do pleito. Dois dias antes da votação ele retorna ao Brasil e quando todos esperavam que o coronelzinho declarasse apoio e voto ao candidato que representava o campo democrático e progressista ele sai pela tangente e não externa claramente o seu voto e apoio a Fernando Haddad.

Passadas três dias do fim do segundo turno das eleições eis que surge, novamente, o coronelzinho do nordeste ou como se diz nas redes sociais a “Barbi do sertão” com a sua típica aspereza, arrogância e prepotência, destilando o seu veneno, próprio de uma pessoa ressentida, invejosa e mal resolvida. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo Ciro Gomes teve o desplante de dizer dentre outros impropérios o seguinte: "Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT...Vou continuar calado, mas você acha que votei em quem com a minha história? Eles podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff [que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad]. Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso...”.

Aqui cabem duas questões: Ciro Gomes tem todo o direito de estar ressentido com o PT, no entanto, vale lembrar que Ciro foi convidado para ser vice de Lula, mas, a sua prepotência o impediu de aceitar o convite e optou por se aventurar sozinho. Deu no que deu! A outra questão são perguntas: chamar um octogenário de "bosta" é atitude de um ser humano? Quem o “Barbi do sertão” pensa que é para se referir a Leonardo Boff com esse qualificativo? Primeiro, que o termo é chulo e próprio dos pulhas insolentes. Vale lembrar ao Coronelzinho Ciro que enquanto ele foi eleito deputado estadual pelo PDS Partido que dava sustentação ao regime militar, Leonardo Boff estava nas trincheiras lutando contra o regime de exceção e pela redemocratização do Brasil. Leonardo Boff é um Intelectual, Teólogo, Filósofo, Escritor e Palestrante reconhecido mundialmente. É uma referência na defesa dos Direitos Humanos, do Meio Ambiente e como Teólogo da Teologia da Libertaçãoo. Um homem a frente do seu tempo que sempre esteve ao lado dos mais pobres e desvalidos. Suas centenas de livros, textos, teses e artigos publicados mundo afora atestam suas qualidades intelectuais. Portanto, Ciro Gomes está longe, mas muito longe da capacidade moral, ética e intelectual de Leonardo Boff. Uma vergonha, um acinte essa entrevista!

A propósito, sobre a fala de Ciro Gomes o Historiador Carlos D'Incao escreveu: “...Da traição, Ciro passou para a sátira, a última e muito bem conhecida estação para aqueles que vão ser descarregados no ostracismo...Mas a Barbie do sertão quer desenhar uma oposição sem o maior partido de oposição, quer ser uma liderança sem eleitores ou intelectuais para apoiá-lo e quer, enfim, ter qualquer protagonismo quando provou ser um inútil na época em que o povo mais precisou...1”.

Comentando o desaforo que recebera de Ciro Gomes, o Teólogo Leonardo Boff dentro de sua grandeza, humildade, generosidade e esmero assim o respondeu: "Considero Ciro Gomes uma das maiores e imprescindíveis lideranças do Brasil. Ele é importante para a manutenção da democracia e dos direitos sociais. Ele ajuda a alargar os horizontes dos problemas que enfrentamos com o seu olhar próprio. O que faz e diz é dito e feito com paixão. Entretanto, a paixão necessária nem sempre é uma boa conselheira. Creio que foi o caso de sua crítica chamando-me com um qualificativo que não o honra..2.”

Logo depois deste sórdido episódio patrocinado por Ciro Gomes outra canalhice é ampla e assustadoramente noticiada. Bolsonaro convida, ou melhor, recompensa o juizeco Sérgio Moro por ter tirado o presidente Lula do seu caminho. A recompensa foi o Ministério da Justiça e o juizeco não resistiu aos encantos do “diabo”, aceitou a proposta e fez ainda uma exigência: além das atribuições da pasta, o Ministério da Justiça comandará a Polícia Federal e o poderoso Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ou seja, o preço foi um superministério.

Mas, o juiz Sérgio Moro se esqueceu de um pequeno detalhe: vai ter que conviver e engolir Partidos e centenas de políticos envolvidos até o pescoço com a corrupção, pois, essa será a base parlamentar do governo Bolsonaro. Ademais, depois de assumir o Ministério, Sérgio Moro passará de estilingue a vidraça e certamente não terá sossego com a oposição e talvez com parte da imprensa censurada por Bolsonaro.

E parece que o inferno astral de Moro já começou, mesmo antes de assumir o ministério!A desfaçatez e o descaramento deste falso paladino da moralidade, salta aos olhos. Em abril de 2017 em Palestra para estudante da Universidade de Harvard, este juizeco afirmou: "Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito...3” .

Passados dezoito meses e logo depois de ser premiado pelo futuro presidente com um superministério, Sérgio Moro nos faz lembrar FHC: “rasguem tudo que escrevi e esqueçam tudo que falei”. Perguntado por uma jornalista sobre o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni que recebera recursos financeiros da JBS por meio de Caixa 2, o juizeco Sérgio Moro com a cara deslavada respondeu: “Ele já admitiu e pediu desculpas4”.

Mas as contradições de Moro não param de pipocar. Em 2016 o juizeco disse o seguinte sobre a sua entrada na política: “...a política é uma atividade importante, não tem nenhum demérito, muito pelo contrário, existe muito mérito em quem atua na política, mas eu sou um juiz, eu estou em outra realidade, outro tipo de trabalho, outro perfil. Então, não existe jamais esse risco5".

Mas, o chocante desta abjeta recompensa a Sérgio Moro foi a revelação do vice-presidente, General Hamilton Mourão que afirmou que Bolsonaro convidou o magistrado já no primeiro turno das eleições, o que nos força a deduzir, por exemplo, que o vazamento da delação de Palocci, que, diga-se de passagem, foi realizada sem a participação do MPF que não a aceitou por falta de provas, já poderia ser parte de um acordo entre a toga e a farda o que tornaria o juiz Moro suspeito de julgar os processos de Lula e comprova, de maneira cristalina, que a condenação do presidente Lula teve mesmo cunho político, fatos estes, que deveria, inclusive, levar a nulidade do processo, mas, como todo o sistema judiciário está envolvido nessa trama, ou melhor, nesse golpe político/jurídico/midiático isso jamais aconteceria.

A propósito, os advogados do presidente Lula ingressaram com uma ação pedindo a suspeição do juiz Sérgio Moro e a nulidade do processo que condenou Lula, destacando uma série de evidências relativas à prática de lawfare, em especial, após o juiz Sérgio Moro aceitar o cargo que recebera em recompensa dada pelo presidente eleito Bolsonaro

Frente a tudo isso, podemos tirar as seguintes conclusões: Ciro Gomes não passa mesmo de um coronelzinho mimado, invejoso, individualista, sem caráter e sem futuro político. A outra conclusão é que o acordo entre Bolsonaro e o juiz Sérgio Moro pode ir muito além do Ministério da Justiça, a recompensa pode ser muito maior: a indicação de Sérgio Moro para compor o Supremo Tribunal Federal ou, ainda, como candidato que sucederá o fascista Bolsonaro.

É meu estimado e saudoso avô Tancredo, será que senhor tem razão no seu aforismo, “a politica é mesmo coisa do diabo”?

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