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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Prática mostrando a realidade
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O usuário e o prestador de serviços


O recente caso do viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros, em São Paulo, o conhecido e importante escoadouro do trânsito da maior metrópole do nosso país, na última quinta-feira (15/11/18), comprova que estamos longe de cuidar das cidades com responsabilidade. Se na cidade mais rica do Brasil, onde o orçamento anual atinge os R$ 50 bilhões, a população é tratada com esse descaso, imagine o que pode esperar o contribuinte de um município que depende exclusivamente dos repasses de verbas. A realidade, na prática, é a mostrada pela mídia.
Não faz muito tempo que ocorreu a mesma coisa em Brasília. A notícia causa o impacto entre os usuários, fala-se em apurar as responsabilidades, mas as medidas preventivas anunciadas se perdem no tempo e caem no esquecimento. Os prejudicados pelas consequências, tanto materiais quanto por perda de tempo e custo adicional devido ao trajeto alternativo, que se lixem. À parte a legenda partidária do gestor do momento, inclusive dos anteriores, nenhuma cidade dedica qualquer atenção às condições da mobilidade urbana que atende a população.
Como entender e aceitar que o Poder Executivo, o responsável pela manutenção de todo serviço público nos municípios, às vezes tem um orçamento equivalente ao do Legislativo e do Judiciário? O que fazem os outros Poderes para receber tanto recurso? Qual a obrigação deles para oferecer atendimento digno em educação, saúde e segurança para todos? Sabe-se que também há mordomias no Executivo, mas toda cobrança sobre as deficiências da rede pública é direcionada para este. O fato é que o esbanjado por alguns privilegiados faz falta para os outros.
Qual é a interpretação que o contribuinte faz quando há o anúncio de um aumento de 16,38% de salário para os ministros do STF e PGR, quando todo gestor público fala que os recursos estão escassos? Provavelmente que o consideram um otário, um imbecil, um perfeito idiota sem nenhuma noção do que seria o merecimento. Dá para pensar de outra forma? Como os deputados federais e os senadores aprovam uma proposta dessas, em plena crise econômica? O mais revoltante é o discurso de que tudo é feito pelo bem do povo. Mas é isso que vemos.
Para garantir a segurança dos notáveis ministros do STF, afinal eles merecem, soube-se que este Tribunal pretende adquirir 14 veículos blindados para a proteção dos seus 11 ministros. O custo estimado é de R$ 3,2 milhões. Qual seria o problema em gastar esse valor, se os serviços indispensáveis para os mais desassistidos estivessem funcionando com uma qualidade aceitável? Isso é perfeitamente admissível por causa da violência que tomou conta do país! Mas só cobrir a cabeça e descobrir os pés é aumentar ainda mais a insatisfação da parte desprotegida. Então...
Aos que acreditam na aplicação de penalidades aos corruptores e devedores do governo, é preciso repensar suas convicções. A Câmara de Deputados e o presidente Temer negociam a MP 783, chamada de Novo Refis, onde o objetivo é aliviar as dívidas das empresas. Apesar do alerta da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional sobre o prejuízo da renúncia, cerca de R$68,3 bilhões, em 3 anos, o governo pretende abrir mão de R$543,3 bilhões para receber R$500 milhões no curto prazo. Como se sabe, é bom negócio ser devedor por aqui.
Fechando o assunto com São Paulo, o governo deste estado, num acordo sigiloso, perdoou uma dívida da multinacional francesa Alstom, corruptora e formadora de cartéis nas obras do metrô e outras, no valor de R$116 milhões. A notícia só veio à público por força de uma Lei de 2015, que obriga a publicidade de todos os atos que envolvam recursos públicos. Quanta transparência! Certamente o cidadão comum que, por qualquer infelicidade, se tornar devedor do município, estado ou União não receberá um tratamento generoso desses. Mas isso aqui é Brasil!


J R Ichihara
21/11/2018

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