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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Liquidação? Promoção? Queima de estoque? Não... Black Friday!
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Pouco importa o nome se o cliente puder pagar


Os saudosistas foram vencidos pela modernidade, quem sabe pela americanização do mundo. Poucos ainda mantêm o uso de palavras há muito tempo fora de moda. Fast food sepultou a finada lanchonete; hora do rush acabou com o pico do trânsito; check in e check out aposentou de vez a entrada e saída em hotel. A lista é extensa, mas o comércio, através dos Shoppings Centers, adotou de vez os termos em inglês para mostrar que os tempos mudaram radicalmente. Off significa desconto. Chique, não? Black Friday acabou com a liquidação e com a promoção.
Sabe-se que a Língua Portuguesa é considerada de difícil entendimento, tanto falada quanto escrita. Mas será que num país onde a maioria sequer fala, lê e escreve corretamente o idioma pátrio, o adotado nas lojas é entendido pelas pessoas? O fato é que a população está pouco ligando para o emprego do termo, muito menos o que ele significa, porque o que interessa mesmo é a oferta de produtos com preços bem abaixo do normal. Basta anunciar nos meios de comunicação que a superlotação nos pontos de venda estará garantida. Virou uma febre!
De acordo com as fontes de pesquisas, o termo Black Friday surgiu na Filadélfia, Estados Unidos, em 1960, porque os policiais reclamavam da aglomeração e do aumento do trânsito por causa das compras do Natal, um dia após o feriado de Ação de Graças. Na verdade era uma gíria (sexta-feira negra) que eles empregavam para o tumulto gerado pelo movimento intenso dos compradores. As lojas, ao contrário, adoravam isso. Como na época as compras eram feitas diretamente nas lojas, pode-se imaginar o aumento na carga de trabalho dos policiais neste dia.
A ideia foi importada pelo Brasil em 2010, mas as vendas das 50 lojas que participaram só eram feitas virtualmente. Os registros da época informam que elas faturaram cerca de R$ 3 milhões com a promoção. Só que as compras físicas ganharam a preferência dos brasileiros e as filas que se formam nas frentes das lojas, antes mesmo de abrirem as portas, comprovam que isso é verdade. Portanto, é indiscutível que o aumento nas vendas, por causa deste dia, é a tábua de salvação para o comércio em geral. Tudo isso somente por causa do termo inglês adotado?
Mas quem pensou que o dia especial para adquirir produtos com preços convidativos se restringe a eletrodomésticos, produtos da linha branca, vestuário ou eletroeletrônicos em geral está redondamente equivocado. Serviços de hotelaria, restaurantes e empresas de transporte aéreo aderiram à ideia rapidamente. Da mesma forma que as imobiliárias e as concessionárias de veículos automotivos. Por que não? Afinal, venda significa faturamento, entrada de dinheiro na empresa que atua no ramo de atividade, sustentabilidade – as crises gerando oportunidades.
Infelizmente o desemprego gerado pela crise econômica, uma consequência direta da instabilidade política, não permite que a circulação de dinheiro aconteça como todos esperam. Até o injusto décimo terceiro salário, que nas palavras do vice-presidente eleito só sobrecarrega o empregador, faz girar a roda da economia no Brasil. Seguramente, apesar de não existir um estudo confiável, a maioria dos que recebem este benefício utiliza-o para fazer compras ou pagar dívidas. Portanto, é um dinheiro que volta para o mercado produtivo. Qual prejuízo isso causa ao país?
Fala-se que a extrema necessidade estimula a criatividade, em qualquer atividade da vida humana. O ato de comprar e vender é tão antigo como a História da Humanidade, portanto as mudanças ocorrerão mais na forma que no conteúdo. Grosso modo, isso é o que se fala atualmente que, obrigatoriamente, “a fila tem de andar”. Se há maior oferta que procura, forçosamente o preço cai; se falta dinheiro e crédito na praça, quem não abrir mão do lucro exagerado vai encalhar produtos no depósito. O nome da técnica de venda é o que menos importa.


J R Ichihara
24/111/2018

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