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ODILON DE MATTOS FILHO
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FINAL DA COPA LIBERTADORES OU COLONIZADORES DA AMÉRICA?
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

A “Copa Libertadores da América” é uma competição de Futebol organizada, anualmente, pela Confederação Sul-Americana de Futebol – CONMEBOL. Essa competição foi criada em 1960 e desde então se tornou a principal competição da América do Sul. Participam desta Copa a Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela e o México. Esse último país, malgrado não pertencer a América do Sul, participa da Copa desde 1998 por pressão e influência da poderosa Toyota, principal empresa patrocinadora da “Copa Libertadores da América”.

O nome do torneio é uma homenagem aos principais líderes políticos que lutaram pela independência da América do Sul, tais como: José Artigas, Simón Bolívar, José de San Martín, José Bonifácio de Andrada e Silva, Antonio José de Sucre, Bernardo O'Higgins, dentre outros.

O campeão da Libertadores tem o direito de disputar o Campeonato Mundial de Clubes, torneio organizado pela FIFA e disputado entre os clubes campeões de todas as seis confederações continentais: CONMEBOL (América do Sul), CONCACAF (América dos Norte, Central e Caribe) UEFA (Europa), CAF (África), AFC (Ásia), OFC (Oceania) e o representante do país-sede, vencedor do campeonato do país organizador da Mundial de Clubes.

Não obstante o desejo e o frenesi que a “Copa Libertadores da América” causa nos clubes da América do Sul, especialmente, no Brasil, esse torneio é marcado pela total desorganização da CONMEBOL que tem como marca indelével os conchavos políticos, a corrupção e os velhos e conhecidos arranjos para beneficiar clubes da América Platina. A história passada e recente como a Libertadores de 2018 é emblemática para corroborar nossa afirmativa a respeito da arruaça que toma conta da CONMBOL. Aliás, a grande maioria dessas entidades que “des-organizam” o futebol, mundo afora, têm essas mesmas características da CONMEBOL, o escândalo da FIFA é exemplar!

Depois, de várias presepadas e escândalos de arbitragem, finalmente chegou a final da Copa Libertadores de 2018. Dessa feita uma final dos sonhos para os hermanos Argentinos, ou como noticia a imprensa argentina "a final do mundo": River Plate X Boca Juniors. O primeiro jogo foi realizado no lendário estádio do Boca Juniors: “La Bombonera” e o placar foi de 2X2. A segunda partida estava marcada para o campo do River, o famoso Estádio “Monumental de Núñez”, porém, como todos sabemos, a partida não foi realizada pela falta de segurança e pela gritante desorganização da CONMEBOL e das forças de segurança da Argentina que não impediram o covarde ataque dos torcedores do River e dos temidos Barra Brava ao ônibus do time do Boca Juniors.

Depois de dias de espera pela última partida entre os dois arquirrivais River Plate e Boca Juniors a CONMEBOL resolve que, por motivos de segurança, a gran final será disputada na Espanha no “Estádio Santiago Bernabéu” do Real Madrid.

Não temos dúvidas de que a escolha da Espanha para receber a final da “Copa Libertadores da América” foi o maior escândalo da história da CONMEBOL. Primeiro, porque mostrou a sua incapacidade de organizar essa Copa, mesmo com a experiência de cinquenta e oito anos de existência. Depois pela insensibilidade dos dirigentes da CONMEBOL que jogaram na lata de lixo a história Política que deu nome a essa Copa, pois, ao levar a final para a Espanha os cartolas prestigiaram os colonizadores, ou melhor, os exploradores da América Latina em detrimento ao povo Argentino e aos povos da América do Sul. Se isso não bastasse o jogo acontecerá no Estádio que leva o nome de Santiago Bernabéu um militar franquista que participou da guerra civil na Espanhola onde morreram mais de um milhão de pessoas em nove anos de batalha, culminando essa barbárie na ditadura do general Francisco Franco que perdurou por trinta e seis anos.

O grande e saudoso Escritor e intelectual Uruguaio Eduardo Galeano, também, aficionado pelo futebol, não obstante conhecer profundamente o caráter de servilismo dos países da América da América Latina perante o Terceiro Mundo e ao imperialismo estadunidense, se vivo estivesse, certamente, estaria extremamente decepcionado, chocado e muito puto com essa decisão da CONMEBOL de levar essa grande final de dois clubes sul-americanos para a Espanha.

A propósito, sobre esse servilismo dos países da América Latina Eduardo Galeano em sua magistral obra “As Veias Abertas da América Latina” escreveu: “Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. (…) Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias. (…) É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano (…) Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas, ricas em minerais, os homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos. O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar têm sido sucessivamente determinados, de fora, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo..1”

Por sua vez e ratificando as palavras de Eduardo Galeano o grande líder Simon Bolívar afirma: “Nunca seremos [nós povos Latino-americanos] afortunados”, ou seja, a sina dos latino-americanos, como bem afirma o jornalista e Escritor Filipe Augusto Pereira, “não era causada por caprichos do destino, mas sim por uma intensa e desonesta exploração de suas riquezas naturais e mão de obra, que geraram um povo cujo engajamento varia de país a país, tendo no Brasil talvez o povo mais alienante e pouco combativo ao comportamento opressor e recrudescido..2.”

Realmente, sob todos os aspectos, em especial o Político, essa final entre River Plate e Boca Juniors jamais poderia ser disputada em algum país que, historicamente, escravizou e explorou os povos latino-americanos. Isso, além de comprovar a teoria de Eduardo Galeano da subserviência das autoridades latino-americanos, constitui, também, um grande desrespeito aos povos sul-americanos, em especial, ao povo argentino, além do que, é um acinte à memória dos grandes líderes que lutaram e morreram pela independência da América do Sul.

Diante de toda essa presepada, escárnio e servilismo da CONMEBOL, esperamos que os cartolas que comandam o Futebol da América do Sul tomem vergonha na cara e decidam andar pelas próprias pernas, ou seja, formem, por exemplo, uma Liga de Futebol independente para realizar esse torneio sul-americano. Mas, caso os cartolas não tenham colhões para essa ou outras medidas mais firmes, o que achamos mais provável, propomos que os mesmos arriem as calças de uma vez por todas e sugiram à Confederação Sul-Americana de Futebol modificar o nome deste torneio para a Copa Colonizadores da América!



1 Fonte: Livro “As Veias Abertas da América Latina – pag.05
2 Fonte: http://www.vortexcultural.com.br/literatura/resenha-veias-abertas-da-america-latina-eduardo-galeano/

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