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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Horrível ser empresário no Brasil?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O perigo de generalizar nas declarações


Tudo que uma pessoa importante fala publicamente repercute com várias interpretações entre a população do país onde ela representa algo ligado ao poder. Quando o presidente Bolsonaro, que assumirá o cargo a partir do próximo 1/1/2019, falou que é horrível ser empresário no Brasil, a declaração chega à sociedade de múltiplas formas. Será que ele quis dizer que o esforço é muito grande se comparado com o retorno? Ou que a sobrecarga de tributos e leis protecionistas aos empregados é injusta? Onde fica a livre iniciativa? Isso não é coitadismo?
A oposição saboreou a infeliz declaração do próximo presidente da República. Primeiro porque ele não fez distinção entre a classe empresarial, preferindo generalizar de forma incorreta. Depois porque isso tem a intenção de mostrar que o empregado é um inimigo e não aliado, como reza os manuais de gestão das empresas privadas. Como sempre, o problema não é focar na questão principal, mas exagerar no peso e na medida desnecessariamente. Mas agora, o todo-poderoso eleito tem a oportunidade de melhorar a vida de todos, não apenas dos empresários.
Qualquer cidadão com um mínimo de conhecimento sabe que tudo no Brasil é difícil, trabalhoso e com resultado final decepcionante. Quantos benefícios fiscais e tributários são oferecidos às empresas para se instalarem em determinadas regiões, com a finalidade de alavancar a economia local, via desenvolvimento? Onde está o coitadismo nisso? O que acontece quando o lucro sinaliza uma queda? Todos sabemos que a empresa levanta acampamento e vai procurar outros locais que ofereçam vantagens para se instalar. Ou isso é pura lenda urbana?
Engraçado que entra governo, sai governo e a lenga-lenga da sobrecarga tributária sobrevive desde que o Seu Cabral por aqui aportou. Será que o progresso necessita do regime implantado na época da Revolução Industrial, onde a jornada de trabalho e as condições eram desumanas? Como achar que isso é horrível somente para o patrão? Mas se alguém combate esse tipo de exploração, principalmente quem tem um padrão de vida melhor, logo é taxado de comunista, esquerda caviar e bolivariano. Se falar em Mais-valia, então, merece o fuzilamento.
Claro que há pessoas boas e más em qualquer atividade empresarial, da mesma forma que bons e maus empregados. O equívoco é considerar como regra geral que todo empresário é esfolado vivo pelas regras governamentais, assim como rotular todo trabalhador como preguiçoso e improdutivo. Se existe obstáculos que impedem um resultado melhor, que seja removido de forma inteligente, atendendo os interesses mútuos dos envolvidos. Mas afirmar que apenas um lado da atividade é sacrificado beira a inconsciência. Como acreditar no fim da luta por direitos?
Talvez a particularização de Bolsonaro seja voltada para a iniciativa privada. Mas o que dizer do servidor público, especialmente da categoria da base da pirâmide? Não é segredo de estado que muitos ainda não receberam a segunda parcela do Décimo Terceiro de 2017, assim como os aposentados do estado que ganham acima de R$5 mil não receberam o salário de outubro corrente. É esse privilegiado que o presidente da República toma como modelo para mostrar que deve reduzir a folha de pagamento? Para este não existe Refis ou perdão de dívida!
Uma prova que empresário leva uma vida horrível no Brasil é o arquivamento do processo, pelo STF, sobre as investigações do banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual, por suposta organização criminosa com políticos do MDB. A alegação foi que já se passaram 30 meses e nada se produziu. Votaram a favor, os ministros Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Marco Aurélio; votaram contra, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Cármen Lúcia. Será que a poderosa caneta Bic do presidente Bolsonaro vai mudar isso?


J R Ichihara
06/11/2018

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