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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Suavizando o discurso?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Espera-se o mesmo rigor aplicado aos demais


Quem assistiu o discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro, na cerimônia de diplomação no TSE, nesta segunda-feira, percebeu a mudança de tom e uma grossa camada de polidez nas palavras. Nada de fuzilar os adversários, muito menos falar sobre os inúteis quilombolas, as inferiores mulheres e os indesejáveis gays. O apelo é para que todos marchem juntos pelo bem do país, até os que não votaram nele devem esquecer as escaramuças de campanha. Nada de anormal nisso, mas será que a opinião pessoal dele sobre o que falou anteriormente mudou?
Alguém conhece um recém-eleito que no primeiro discurso público promete governar só para quem votou nele? Ou que os excluídos que se virem e procurem os adversários políticos que comungam com suas maneiras de pensar? Pois é. Agora não se trata mais de fuzilar os petralhas e acabar com a turma deles. Quem espera melhoria não vai ficar só martelando nos erros cometidos pelos antecessores. Afinal, o empossado foi eleito para mudar o que estava errado. Da mesma forma que os seus eleitores precisam entender que as eleições são coisa do passado.
Os especialistas sobre política que comentam nos meios de comunicação do Brasil analisaram trechos do discurso do futuro presidente, destacando alguns pontos. Enquanto uns acham que eliminar o intermediário entre o poder e o povo se refere à mídia e às instituições legais, outros acham que não ficou muito claro o que ele quis dizer. Mas quando falou que os avanços tecnológicos são um recurso valioso de comunicação, todos concordam que são as redes sociais. O fato é que nenhum discurso, por mais bem escrito e lido que seja, garante futuro algum.
Na mesma cerimônia também discursou a presidente do TSE, a ministra Rosa Weber. Ela enfatizou a importância de obediência à Constituição Federal, que envolve a aceitação da diversidade entre as pessoas, assim como o respeito às opiniões contrárias permitidas pelo regime democrático. Um comentarista ressaltou que a ministra fugiu do assunto foco da cerimônia, enfatizando que não cabia citar a obediência à Constituição do país. Mas será que o futuro presidente não precisa ser alertado disso? O que ele disse na campanha violou esses direitos?
Entre o otimismo e o pessimismo da população, sobre o futuro do país, paira uma enorme expectativa. Lógico que seria muita imaturidade torcer para que o governo dê errado somente porque discorda das suas ideias sobre gestão pública e não votou nele. Como ele falou no discurso no TSE: “sou o presidente de 210 milhões de brasileiros”. Bem ou mal ele é o novo presidente e seu desempenho à frente do país vai mostrar se acertamos ou erramos na escolha. Mas agora não basta só o autoritarismo – o cargo exige civilidade nas negociações com os demais Poderes.
Chegou ao conhecimento público denúncias de operações financeiras anormais envolvendo o filho do presidente Bolsonaro. O assunto ganhou às manchetes com repercussão negativa, mas isso não pode ser o grande motivo para que todos achem que este governo será um desastre total. A notícia chamou a atenção porque há indícios de esquema onde a família do presidente diplomado foi beneficiada com dinheiro de origem desconhecida. Infelizmente, o combate à corrupção não pode isentar ninguém suspeito ou envolvido. Portanto, que seja apurado!
Será que a leitura de um discurso cuidadosamente preparado para uma ocasião desfaz tudo o que o Bolsonaro falou ao longo da campanha eleitoral? Certamente para os que o elegeram, apesar de todas as agressões verbais mostradas, este é o verdadeiro presidente. Mas para os que foram discriminados, especialmente os chamados de inúteis, além dos preconceituosamente excluídos, é possível ver uma imagem santificada por causa das belas palavras ditas agora? A memória, ao contrário do vento, guarda com certo rancor as palavras que agridem e ofendem.


J R Ichihara
13/12/2018

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