A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
Vazamentos sigilosos e a indiferença do eleitor
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Uma semana antes da votação do segundo turno da última eleição para a presidência da República do Brasil, chegou ao conhecimento público informações sobre a delação premiada do ex-ministro Palocci, onde ele afirmou ao juiz Sergio Moro que Lula sabia do esquema de corrupção na Petrobras. À parte a divergência entre os que acham certo ou errado o tal vazamento, o fato é que isso pouco mudou na decisão do eleitor que votou contra ou a favor do PT, o partido do ex-presidente que se encontra preso desde abril deste ano. Bolsonaro não venceu por causa disso!
Mas será que uma notícia que atingisse de forma negativa o vencedor desta eleição provocaria uma mudança na postura de quem votou nele? Tipo uma denúncia, com provas documentais fornecidas por um órgão fiscalizador oficial, mostrando irregularidades na manipulação de dinheiro de origem desconhecida. Ora, se o candidato que se apresentou como uma tábua de salvação contra a corrupção e outros desmandos fosse desmascarado publicamente... como se comportaria o eleitor que viu nele a esperança para esta mudança?
Felizmente a verdade um dia aparece, de uma forma ou de outra. Ironicamente, dias antes da diplomação do presidente eleito, no TSE, a mídia divulgou que o COAF, um órgão que fiscaliza operações financeiras no país, revelou que um assessor do seu filho, o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL/RJ), movimentou uma quantia incompatível com seus ganhos, além de depositar um cheque de R$40 mil na conta da sua esposa, Michelle Bolsonaro. A repercussão causou mal-estar até entre os militares indicados para a equipe, onde alguns querem saber a origem o dinheiro.
A curiosidade dos que não votaram no eleito é: como seria o comportamento dos que o elegeram se a notícia fosse vazada uma semana antes da votação? No caso do PT, a notícia só reforçou que o momento da mudança era esse. O povo tinha mais do que motivo para não querer mais este partido no poder. Mas será que haveria a certeza que Bolsonaro era a solução, mesmo sabendo da movimentação anormal de dinheiro, por pessoas da sua família? O fato é concreto e exige uma explicação dos envolvidos, mas a maioria que o elegeu não se importou com isso.
Sempre que algo muito sério chega ao nosso Judiciário, principalmente se envolver autoridades, a investigação passa a correr em segredo de Justiça. É a forma de impedir que haja o tal vazamento das informações coletadas que interfira no julgamento e na sentença. Mas por que vimos muita coisa chegar ao conhecimento da população, mesmo se tratando de pessoas do alto escalão envolvidas no processo? Para o leigo o entendimento é muito simples, mas para os especialistas há explicações e justificativas para cada caso. É isso que gera as divergências.
Os grupos que se agridem verbalmente nas redes sociais por causa deste acontecimento externam o que há de mais irracional no comportamento humano. Quem defende o eleito resume-se a lembrar dos escândalos que o PT é citado, inclusive que o chefe da quadrilha está preso. Os contra tentam mostrar que isso comprova que Bolsonaro não traz novidade na forma de tratar o dinheiro público, apesar da conclusão do caso depender dos esclarecimentos que os envolvidos prestarão aos órgãos competentes. O que uma coisa tem a ver com outra? A Lei não é para todos?
Grande parte da insatisfação do povo com o Judiciário brasileiro deve-se a forma como os seus membros se comportam nos processos em julgamento. Lógico que os juízes, ministros e demais componentes que têm o poder de decidir uma sentença não podem ficar a mercê da vontade popular. Mas o mínimo que se espera é que os critérios sejam os mesmos quando se tratar de casos semelhantes. Se a prática usual dos Tribunais depender da vontade pessoal de quem julga, dificilmente o povo confiará na nossa Justiça. Portanto, as Leis sem isso nada valem!



J R Ichihara
16/12/2018

 Comente este texto
 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: LaIL (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP sera enviado junto com a mensagem.