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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Religião, comércio e o Natal
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A César o que é César, a Deus o que é de Deus


Que grande evento nacional consegue reunir interesses tão antagônicos como o Natal? A crise financeira que castiga as pessoas ao redor do mundo, desde o final de 2008, ainda não foi totalmente abolida do dia a dia da humanidade. Basta ler ou assistir as notícias nos diversos meios de comunicação. Alguns nem procuram mais saber da situação atual, muito menos das previsões futuras, porque não acreditam mais nas promessas e no otimismo dos dirigentes dos países atingidos com mais intensidade. Portanto, a depressão assumiu de vez o pódio entre as doenças.
Alguém ouviu nos dias atuais que determinada paróquia vai realizar a celebração da maior Missa do Galo já vista no país? Ou que o maior presépio está localizado em tal cidade? Provavelmente isso nunca será do conhecimento da população mais católica do planeta. Mas isso não é tão decepcionante porque se a fé ameniza o sofrimento e a necessidade de uma minoria, a maioria tem consciência que a solução dos seus problemas está na falta de dinheiro. Para esses, fé, esperança e caridade só alimentam a alma – o corpo exige outros nutrientes indispensáveis.
Os caminhos divergentes que conduzem a fé e o apego ao dinheiro, via comércio, se cruzam durante as comemorações do Natal. À parte os que não encontram mais saída para o fundo do poço, o movimento dos restaurantes e locais de eventos aumenta significativamente por causa das confraternizações. Isso, visto pelo lado econômico, é bom sinal porque gera trabalho para que o serviço seja prestado com qualidade. Da mesma forma que as lojas, com a procura dos presentes, contratam mais vendedores. Uma tradição saciando a necessidade do mercado.
Nesta época do ano as pessoas tornam-se mais solidárias nos ambientes que compartilham com as outras. A velha tradição do amigo oculto, a caixinha dos funcionários, a confraternização nas empresas e repartições públicas... o espírito natalino envolve a população. Claro que sempre têm os que detestam essas manifestações. Apontam o amigo oculto como o ápice da falsidade, onde os que passam o ano se detestando resolvem se abraçar em público. Mas será que o objetivo não é a reconciliação? Quantos agradeceram o que Jesus Cristo fez?
Sabe-se que o cristianismo abomina a riqueza obtida através da exploração humana escravizante, mas a sobrevivência de qualquer atividade depende de recursos. Se a forma é inadequada, como os meios ilegais tipo o narcotráfico, o contrabando e a corrupção, o aceitável e inaceitável depende da situação econômica geral ou particular. Por isso não se pode considerar o turismo religioso como uma profanação dos valores sagrados. Há um custo para manter a estrutura que atende os visitantes. À parte a isenção tributária, nada é de graça para a Igreja.
Felizmente a convivência entre a festa cristã e o comércio é pacífica. Pode-se dizer que bem-vinda do ponto de vista econômico para amenizar o sofrimento imposto pela crise mundial. O que não pode ser generalizado é que a religião virou um comércio também. A tradição religiosa sobre o nascimento de Jesus Cristo é atemporal, milenar e imortal – os valores não mudaram. O que precisa ser segregado é a parte comemorativa que foi ocupada pela atividade comercial. Da mesma forma que todas as datas importantes que procuram homenagear apenas o ser humano.
Diz-se que nada mais previsível do que “juntar a fome com a vontade de comer”. Se a população está faminta de fé, esperança e caridade, assim como o comércio necessitado de recursos para manter as empresas em atividade... o Natal cruza esses caminhos tão divergentes em torno de um acontecimento inquestionável. O nascimento do Menino Deus será comemorado por gerações porque sintetiza tudo que as pessoas humildes e sem esperança acreditam que pode acontecer em suas vidas. Daí não ser coincidência Ele vir de forma simples para salvar o mundo.


J R Ichihara
23/12/2018

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