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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Batata quente nas mãos
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quem estiver no barco afundará junto


A recente cerimônia de posse do presidente da República e dos governadores dos estados brasileiros marca o início de uma nova tentativa para o país sair da crise múltipla que nos atinge desde o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. O momento é de expectativas de dias melhores para a população, mas a realidade é que as soluções exigem muito além das palavras de otimismo. As contas públicas estão desequilibradas, o desemprego assusta, a luz no fim do túnel é fraca e o desentendimento entre as pessoas pouco ajuda diante da situação.
O salário mínimo anunciado pelo novo presidente ficou abaixo do proposto pelo seu antecessor (R$998,00 x R$ 1.006,00), ou seja, por volta de 4,6% sobre os R$954,00, uma merreca diante dos 16,38% aprovados para os ministros do STF e da PGR. Talvez seja a fórmula mágica para equilibrar as contas que insistem em não voltar ao controle. Por enquanto o clima é de festa, de lua de mel com os novos gestores do país. Reza a tradição que os primeiros 100 dias de governo são imunes às críticas porque é o tempo de acomodação da nova equipe. Depois disso...
Mas o país não se resume à Presidência da República e seus ministros do primeiro escalão, muito menos ao ambiente do Planalto. Afinal, as pessoas vivem em cidades localizados nos 26 estados e no Distrito Federal, espalhados por todo o Território Nacional. Muitos brasileiros sequer sabem onde fica o centro do poder no país. Se as decisões sobre o destino das pessoas são tomadas em Brasília, a forma como isso chega ao morador dos longínquos rincões em nada melhora a sua dificuldade para sobreviver. A dependência da gestão local é mais significativa.
Para quem prometeu o Paraíso na Terra, sem levar em consideração os recursos financeiros em caixa, é bom ir preparando justificativas para o não cumprimento das promessas de campanha. A maioria dos estados está quebrada, com as contas no vermelho, devendo salários de servidores e fornecedores, sem poder manter a máquina administrativa. Só que promessa é dívida, segundo o ditado popular. E agora? Onde está a varinha de condão para mudar tudo num passe de mágica? Poucos gestores do Executivo não receberam uma batata quente nas mãos.
Um levantamento publicado na mídia, onde os dados do IBGE utilizados pela Consultoria Tendências mostram que em 2017 houve queda de 6,9% do PIB, em relação a 2014. Em 8 estados a queda acumulada ultrapassou os 9%. Entre os argumentos dos pessimistas e dos otimistas ficam os desassistidos, os desempregados e os desesperançosos, mas o país tem de seguir em frente. Se a austeridade começa pelos salários mais baixos, o novo governo está no caminho certo. Caso a medida seja penalizar quem ganha mais, a decisão passou longe de comprovar isso. Mas...
Felizmente para os que assumiram os cargos máximos do Executivo nos estados e no país, a população está disposta a apoiar as decisões e medidas emergenciais porque esperam mudanças para melhor. O problema é que a paciência pode se esgotar antes que as contas públicas sejam equilibradas, os investimentos retornem, trazendo os empregos de volta, possibilitando o desenvolvimento nas atividades produtivas e de serviços. Ainda é muito cedo para os prognósticos exageradamente otimistas ou pessimistas – é preciso dar um tempo para avaliar.
O fato é que os discursos de palanque que funcionaram na campanha eleitoral precisam dar lugar às ações que demonstrarão como sairemos da situação de crise que completou quatro anos. A população deve ter consciência que a batata quente nas mãos dos governantes significa que a dificuldade atinge a todos, independentemente de ser servidor público, empregado de empresa privada ou autônomo. Tampouco adianta ficar relembrando que os governos passados afundaram o país. Afinal, existia uma estrutura organizacional no país que deveria evitar o caos.


J R Ichihara
03/01/2019

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