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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Movimento social, greve, crime organizado e terrorismo
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

É preciso descer do palanque de campanha?


Aos poucos a população brasileira vai percebendo como o novo governo, que está recheando a administração com militares reformados, pretende controlar as manifestações populares. O ato de facilitar a posse de arma nas fazendas e estabelecimentos comerciais pode indicar que a represália começa por aí. Além disso, considerar como terrorismo os movimentos sociais na briga por terras é generalizar de forma grosseira uma luta secular que existe no país. O sistema de Capitanias Hereditárias gerou problemas até hoje mal resolvidos. Portanto...
Qualquer ser humano com um mínimo de inteligência sabe distinguir um ato terrorista de outra atitude desapegada desta finalidade. Aquela ação tem como objetivo intimidar uma população para chamar a atenção sobre alguma insatisfação que atinge determinado grupo, país ou crença religiosa. E para isso usam a violência explícita como homens-bomba, explosivos detonados em locais muito frequentados... tudo que puder causar pânico e terror no dia a dia das pessoas. Qual a semelhança disso com uma greve pacífica ou com uma ocupação de terra?
O país está cansado de ver cenas de arrepiar quando os chefões do crime organizado resolvem mostrar quem manda no país. Basta a Justiça ordenar que alguém importante da hierarquia mude de presídio, principalmente aquele que não interessa à organização. O que acontece? Ônibus incendiados, prédios públicos metralhados, lojas saqueadas e tudo mais que a mídia expõe fartamente. Isso é terrorismo ou demonstração de poder e fraqueza de parte a parte?
Para a sociedade tanto faz ser considerado terrorismo ou não, mas como as autoridades agirão.
Curioso é que ninguém vê ninguém do Poder Público nas cenas que o crime organizado pinta nas cidades espalhadas no país. Tudo queima até o fim porque nem o Corpo de Bombeiros comparece, muito menos o Batalhão da Polícia Militar, a que costuma espancar os grevistas das áreas de educação e saúde que não recebem salários. Por que? Mas isso está com os dias contados quando tudo que comprometer a ordem a Lei for enquadrado como terrorismo. Ainda mais agora com a facilidade do cidadão de bem obter a posse de arma. Defesa é direito de todos!
Infelizmente a mídia não se dá ao trabalho de perguntar ao vivo para os representantes da Segurança Pública, onde estavam as pessoas responsáveis por manter a ordem nos momentos que o pânico se espalha nas ruas. Ninguém precisa explicar nada? Para que o contribuinte mantém um efetivo que não lhe deve a mínima satisfação? Qual diferença faz se não existir todo esse aparelhamento, sustentado pelo contribuinte, se a atuação não transmite qualquer sensação de segurança coletiva? O povo está cansado de muita conversa e pouca efetividade. Até quando?
Pior que, além da situação real de insegurança, ainda tem o lado político nas questões que deveriam ignorar isso. Parece que o discurso do presidente Bolsonaro, que ia governar para os 200 milhões de brasileiros, não é bem assim na prática. Quando o governador do Ceará solicitou a ajuda do ministro da Justiça, Sergio Moro, não houve qualquer boa vontade neste atendimento. Será porque ele é petista? Ou porque nordestino merece comer capim? Uma pena que a prática tem mostrado que a campanha eleitoral não terminou ainda. Deixar queimar tudo!
Toda generalização é perigosa no sentido de colocar na mesma cesta problemas de origens e causas diferentes. Considerar tudo que desagrada uma gestão como terrorismo pode desperdiçar muita energia porque haverá o emprego errado dos recursos no combate. Se uma Pasta não souber distinguir uma simples greve ou uma invasão de terras de um ato terrorista, não temos certeza que saberá vencer as ondas de violência espalhadas pelo crime organizado nas cidades de Norte a Sul e de Leste a Oeste do país – nem sempre a força substitui a inteligência.


J R Ichihara
18/01/2019

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