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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Visão externa tem importância?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O Primeiro Mundo leva as palavras a sério


Qual a impressão que o discurso do presidente Bolsonaro, no recente Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, causou na imprensa internacional? Pelo que tomamos conhecimento na mídia local, a maioria esperava muito mais dele. Usou só 7 minutos, dos 30 disponíveis, perdendo uma grande oportunidade de mostrar ao mundo a nova cara do Brasil. Será que as poucas palavras que disse foram suficientes para convencer os investidores estrangeiros? Ou a eloquência verbal empregada bastou para trazer uma enxurrada de recursos para o Brasil?
De maneira geral a comunidade internacional saiu decepcionada, apesar dos apoiadores do nosso presidente acharem que ele foi ótimo e deu o recado de forma eficaz. O vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2013, o norte-americano Robert Shiller, disse que Bolsonaro lhe dá medo e que o Brasil merece alguém melhor. Um banqueiro alemão, que não quis ser identificado, disse que ouviu apenas manchetes, mas precisava de detalhes. Se a principal intenção era atrair investimentos externos, o discurso talvez precisasse disso – tempo não faltou. O que aconteceu?
O fato é que a população brasileira, independentemente de ter votado nele, soube que os jornais mais respeitados na imprensa internacional classificaram o discurso de Bolsonaro como decepcionante. Le Monde (França), El País (Espanha), The Guardian e The Telegraph (Grã-Bretanha), New York Times e Washington Post (Estados Unidos) não teceram comentários elogiosos ao nosso presidente. Portanto, se a opinião internacional não viu com bons olhos o novo comandante do destino do nosso país, a vinda da ajuda externa pode ser uma esperança remota.
Infelizmente, no mundo real, as decisões sobre investimentos não se baseiam em informações que circulam nas redes sociais. Os investidores precisam saber onde estão colocando o dinheiro, qual é a garantia oferecida, como atuam as instituições fiscalizadoras... porque nessa atividade surpresa desagradável não é bem-vinda. Fazer negócios num cenário de desconfiança não é a praia dos grupos financeiros internacionais e das multinacionais. Talvez os últimos acontecimentos que o Brasil mostrou ao mundo exijam as mudanças omitidas neste evento.
Mas entre os mortos, feridos e sobreviventes, como se diz na filosofia popular, o país tem de seguir em frente. Não adianta lamentar a oportunidade perdida. Se vender as belezas naturais, as belas praias e a imensurável riqueza mineral não for suficiente para atrair os estrangeiros, é bom lembrar que aqui vivem mais de 200 milhões de pessoas. Receber investimentos externos é muito bom, mas se as condições de vida dos nativos em nada melhorar o resultado será péssimo. Engana-se quem acha que o futuro promissor independe do que se faz no presente. Portanto...
Sabe-se que alguns países estão protegendo suas atividades produtivas. Basta ver a declarada guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, com as consequências que atingem os demais exportadores. O Brasil, apesar de não ser um grande exportador de produtos com alto poder agregado, depende desta atividade para equilibrar a balança comercial. Como repercutiu a restrição a Arábia Saudita, um dos maiores importadores do nosso frango, para alguns fornecedores brasileiros? Alguma ligação com a mudança da nossa Embaixada em Israel?
Diz-se na linguagem futebolística que treino é treino, enquanto jogo é jogo. Isso quer dizer que quando a coisa é para valer deve-se mostrar objetividade. É tratar o assunto como conversa de adulto. Agora não vale mais ficar procurando erros na gestão anterior. O comandante do time teve a autoridade para escolher a equipe, sem interferência de terceiros. Que ponha o time para jogar e mostre porque merecia estar no comando – e conquiste a taça que a torcida espera. Já passou da hora de revirar a lama para achar culpados. Mostre ao país e ao mundo a que veio!


J R Ichihara
24/01/2019

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