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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
O cuidado com as palavras
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Autoridade brincando com coisa séria?


Nos tempos de liberdade de expressão as pessoas se habituaram a falar e ouvir de tudo que se possa imaginar. Algum mal nisso? Muito pelo contrário, mas todos devem ter o mínimo de cuidado com o que falam ou publicam nas redes sociais. Um ilustre Zé Ninguém divulgar um monte de besteiras, onde quer que seja, tem uma importância desprezível, inócua, sem qualquer efeito preocupante. Ao contrário, se uma autoridade falar algo que pode repercutir negativamente, a interpretação de quem ouve cria uma situação que permite inúmeras desconfianças evitáveis.
Os últimos dias foram férteis em declarações preocupantes para a sociedade brasileira. No caso do deputado Jean Wyllys, que falou em deixar o país porque foi ameaçado de morte, as palavras do presidente foram decepcionantes. Ele disse, segundo publicação da RBA, quando soube da notícia: “grande dia”. O assunto ganhou repúdio de outros parlamentares, mas Bolsonaro negou que se referiu ao deputado ameaçado. Não bastasse o vexame, o ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que as instituições estão funcionando normalmente. Tudo isso é mimimi?
À parte as divergências ideológicas e partidárias, o que todos esperam é que as instituições sejam para garantir a segurança das pessoas. Se as ameaças são invenções de Wyllys, que se prove isso e abra um processo investigativo contra ele. Afinal, gostando ou não de suas posições políticas, ele é um parlamentar eleito numa escolha democrática. Quanto a acreditar que as instituições estão funcionando normalmente, basta lembrar que o Queiroz, o ex-assessor do Flavio Bolsonaro, nunca compareceu ao MPF do Rio de Janeiro, apesar de convocado. Então...
Mas o cardápio de declarações indevidas, por parte de autoridades, não para de surpreender a população. A desembargadora Marília de Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, postou que o deputado Wyllys devia ser executado por ser a favor de uma “execução profilática”. Depois que viu a repercussão sobre a infeliz postagem, disse que era brincadeira e que “o problema da esquerda é o mau humor”. Será que ela é tão bem-humorada a ponto de brincar com uma coisa dessas? Ou ela se acha acima do bem e do mal? Brincalhona!
Tão logo soube da tragédia ocorrida com o rompimento de uma barragem de rejeitos da Vale do Rio Doce, em Brumadinho-MG, o presidente Bolsonaro declarou que lamentava, mas o governo não tinha nada com isso. Não era o que se esperava ouvir da maior autoridade do país. Como não tem nada com isso? Que tal assumir as rédeas e deixar de procurar erros nas administrações anteriores? Para quem não lembra, ele disse que as licenças ambientais atrapalhavam e que o IBAMA era uma indústria de multas opressoras às empresas. Avestruz?
Justificar que a fiscalização aprovou o funcionamento da barragem que rompeu exime a empresa causadora da tragédia? O que uma coisa tem a ver com outra? O que a sociedade vê é a blindagem do criminoso em detrimento da desgraça dos atingidos. Não interessa de qual partido político os responsáveis diretos pela catástrofe são filiados. A Lei é para todos, segundo o filme que argumentava a prisão do ex-presidente Lula. Só para lembrar, a Vale não foi rigorosamente punida pelo crime ambiental de Mariana-MG, onde os atingidos estão à deriva até hoje. Portanto...
Lamentavelmente o povo devia falar e postar menos besteiras e prestar mais atenção ao que acontece no rumo do país. Brincadeira tem hora – uma alusão a desembargadora brincalhona -, além de limite. Uma autoridade que não mede as consequências do que fala publicamente, inclusive que tenta consertar o vaso quebrado, transmite insegurança e facilita que as fofocas e as notícias falsas ganhem dimensões incontroláveis. Quando disse que era o presidente dos mais de 200 milhões de brasileiros, o presidente tinha consciência do que falou? Ou era brincadeira?


J R Ichihara
27/01/2019

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