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ALESSANDRA LELES ROCHA
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MAIS UMA VEZ...
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA




E assim, num piscar de olhos, mais uma vez o curso da vida vira de cabeça para baixo. Ainda que passemos os dias acreditando piamente que somos donos e senhores do nosso destino, vem o inesperado e nos puxa o tapete.
Era um dia como tantos outros. Cada um cumprindo a sua rotina. Acreditando que haveria um amanhã. E de repente... A vida ficou pelo caminho. Um caminho de rejeitos, escrito com a fúria do destino anunciado. Lá se foram seres humanos. Sonhos. Projetos de vida. Ideais... Lá se foi a natureza. Rios. Peixes. Matas.
Mais uma vez. Uma expressão que não aplaca nem diminui a explosão dos sentimentos extravasados pelos que ficaram. Um “novo” com cara de requentado, de notícia já contada, de tragédia esperada. E cada vez que se repete fica a certeza de que a vida tem menor valor.
Talvez, tenha mesmo para aqueles que enxergam na ótica da peça operária que se pode substituir. Mas, no senso da empatia a vida é sempre muito valiosa. Por isso, esse “mais uma vez” arranca da alma o lamento, a indignação, a solidão... Porque “mais uma vez” a vida parou. A vida do (a) irmão (ã), do (a) pai (mãe), do (a) amigo (a), de quem se conhece ou não, de quem ainda vive ou não.
Parou no movimento ininterrupto daquele “barro”, daquela “lama”. Parou no silêncio atordoante. Parou na angústia gelada. Parou na dor contorcida. Parou no amor que existia e agora... O corpo de quem fica, de certo modo, parou de ser o que já foi. Como protesto inconsciente, seu movimento é lento, descompassado, contrariando o que acontece à luz de seus olhos.
Mais uma vez, a vida perdeu para o dinheiro; embora, nenhum dinheiro do mundo compre a vida ou a traga de volta. Mais uma vez, dessa disputa desleal entre o SER e o TER, perdemos a noção do quanto nossas vidas pertencem mais aos outros do que a nós mesmos. Mais uma vez, enganou-se quem pensa que é o dono do próprio destino; depois da página dois, só Deus para saber o que de fato nos espera.
Mais uma vez é a história. Que muda os cenários, as personagens, os figurinos; mas, o enredo é sempre o mesmo. O problema é que mesmo a conhecendo em detalhes ficamos na expectativa de que algum dia o final possa ser diferente. Mas como isso seria possível?
Então, “mais uma vez”, está criada a oportunidade de uma reescrita e assim, transformar o fim da história e deixar apenas no tempo, as marcas das vezes em que só nos mantivemos impactados pelas sombras do horror, silenciados pelo peso da omissão. Afinal, nunca se sabe quando esse “mais uma vez” pode fazer de você “a vítima da vez”.

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